Mário CesarOtávio de Azevedo: ‘‘A Sercomtel tem uma pérola nas mãos’’A privatização do sistema Telebrás pode ser inviabilizada, alerta Otávio Marques de Azevedo, em razão de um critério que determina que as empresas de telecomunicações no Brasil deverão contar com 51% de capital nacional - como tem ocorrido no sistema da Banda B. Ele afirma que os grandes grupos nacionais não têm cacife para pagar metade do valor das estatais e ainda investir para enfrentar os concorrentes na busca por novos clientes.
‘‘Ou o governo muda a regra e não exige os 51% de capital nacional ou permite que as empresas façam um ajuste na sua estrutura acionária. Se não, não haverá recursos para a privatização’’, afirma Azevedo. A Embratel, segundo ele, está avaliada em torno de US$ 8 bilhões a US$ 9 bilhões.
Para Azevedo, a privatização é fundamental para a melhoria dos serviços de telecomunicações no País. ‘‘O Estado, por conta de suas leis, dificulta a administração das empresas, e a sociedade é muito condescendente com o serviço público. Quando privatiza, a sociedade passa a cobrar qualidade nos serviços’’
Azevedo diz ainda que os grandes grupos que estão participando da licitação da Banda B estão apostando numa melhoria da situação econômica brasileira. Eles levam em conta que em 15 anos - prazo da concessão - haverá uma melhor distribuição de renda no País. Azevedo apresentou dados do IBGE, de 1991, que retratam um Brasil com 70% da população com renda abaixo de três salários mínimos; 12% com renda de três a cinco salários; 11%, com renda de cinco a dez salários; e 7% que ganham acima de dez salários mínimos.
Para entrar nesse mercado, Azevedo afirma que as empresas terão que baixar seus preços. ‘‘Os serviços de telecomunicações no Brasil são superiores à capacidade de consumo do brasileiro’’, diz.(C.P.)

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