Investidor volta a comprar títulos brasileiros
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de outubro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Acendeu uma luz amarela para o Brasil no mercado financeiro internacional. Mas, desta vez, não é um alerta de perigo à frente. É um sinal de relaxamento, de quase alívio. Para quem vinha encontrando um sinal vermelho em cada esquina nos últimos três meses, o amarelo que se acendeu é um sinal de que o Brasil pode encontrar sinal verde entre analistas e investidores mais cedo do que se podia prever. Desconte-se o conhecido efeito manada dos mercados, onde más e boas notícias são amplificadas ao extremo, e não há como não notar que os papéis brasileiros entraram numa rota de ascensão.
O gatilho para esse movimento foram as recentes declarações de integrantes do PT, garantindo que o partido vai manter uma política fiscal austera para equilibrar as contas públicas. Para o diretor de Pesquisa de Mercados Emergentes do banco de investimentos Goldman Sachs em Nova York, Paulo Leme, a reação do mercado às palavras dos dirigentes petistas mostra que ''há um prêmio para a gestão ortodoxa da política econômica, a única saída para a atual crise financeira e de confiança''.
Papéis brasileiros voltaram a ser comprados no mercado internacional, ainda que em operações especulativas. Ontem, o C-Bond, o título da dívida externa mais negociado e que funciona como uma espécie de termômetro para o tamanho dos juros que uma empresa ou o governo brasileiro poderiam pagar ao recorrerem a empréstimos, teve valorização de 2,26%, fechando em 56,438% do valor de face, mesmo num dia em que as bolsas americanas caíram. Desde o dia 16 de outubro, a valorização é de 14,89%. Nesse cenário, o risco país, calculado a partir de uma cesta de títulos da dívida, caiu 5%, para 1.767 pontos, o nível mais baixo desde 13 de setembro.
Também ontem, em outro indicador dos novos ventos que começaram a soprar há alguns dias, recibos de ações de empresas brasileiras negociados na Bolsa de Valores de Nova York tiveram valorizações que há tempos não se viam. O papel ordinário (ON) da Petrobras subiu 6,7% em Wall Street.


