Investidor vê Brasil com mais otimismo
Agência Folha
De São Paulo
A confiança externa na economia brasileira vai sendo recuperada aos poucos. Embora o governo ainda seja cobrado sobre votações importantes no Congresso e pairem dúvidas a respeito da capacidade de fechar as contas públicas para o ano 2000, a análise corrente é que a economia do Brasil não vai mal e tende a melhorar. Todas as análises são vistas com reserva. Assim como o excesso de
pessimismo demonstrado após a maxidesvalorização do real (em janeiro deste ano), a onda de otimismo merece cautela.
A recuperação começa a ter contornos mais definidos dois anos depois da crise nos países asiáticos e mais de um ano após o colapso financeiro na Rússia. A nossa desconfiança com o Brasil foi modificada a partir do momento em que o país soube atravessar, com certa calma, a tempestade do início do ano, disse Brian Mullaney, estrategista de mercado para países emergentes do Banco HSBC.
O Brasil liberou o câmbio, que era controlado por um sistema de minibandas. Desde janeiro, o real passou do patamar de R$ 1,21 para R$ 1,93 registrado, em média, na última semana. A inflação, porém, se manteve controlada e não foi verificada uma grande fuga de capitais do país. Os mercados emergentes hoje estão mais bem preparados para enfrentar adversidades, disse Neal Soss, economista-chefe do Credit Suisse First Boston.
Um exemplo foi a calma apresentada na semana que passou, mesmo com a decretação de uma meia moratória por parte do Equador. O governo do país decretou que só pagaria metade dos cerca de US$ 98 bilhões de juros de dívidas contraídas junto a bancos estrangeiros. O Equador é um peixe relativamente pequeno na proporção das dívidas dos países emergentes. O impacto é pequeno para os outros países, afirmou Michael Henry, economista para América Latina do Banco ING em Nova York. O investidor está preferindo olhar, no momento, para os fundamentos da economia brasileira, que, segundo a opinião de analistas, estão bons. Os dados consolidados do primeiro semestre indicam que o governo brasileiro cumpriu as metas fiscais acordadas com o FMI (Fundo Monetário Internacional).
O que demonstrou compromisso do presidente (Fernando Henrique Cardoso) em levar até o fim os compromissos assumidos, disse Henry.





