A crise financeira na Ásia e na Rússia e o temor de sua extensão aos países da América Latina continuam desviando uma grande massa de capitais das regiões afetadas para as obrigações de Estado norte-americanas e européias, consideradas como valores seguros. Desde o início do ano, o equivalente a uns 150 bilhões de dólares de capitais provenientes do estrangeiro, em particular do Japão, foram investidos no mercado do empréstimo público dos Estados Unidos.
A esse total, junta-se outra soma praticamente equivalente na Europa, segundo as estimativas dos economistas. O fenômeno, conhecido sob o nome de ‘‘fuga para a qualidade’’, leva os investidores a abandonar a Ásia e a comprar empréstimos públicos ocidentais para escapar da instabilidade e da desvalorização das moedas, assinala Patrick Mange, economista do Deutsche Bank. Esse fluxo significa uma grande alta do preço das obrigações dos dois lados do Atlântico.
‘‘A crise asiática, a fragilidade do iene, os problemas financeiros na Rússia, o temor de um efeito de contágio generalizado da crise, principalmente nos países da América Latina, servem de apoio aos mercados de empréstimo público’’, assinalou Philippe Gudin, analista da firma Goldman Sachs.
Na Alemanha, o tipo de rendimento dos empréstimos subiu até 4,37%, um nível histórico. Na França, o nível se situava em 4,23% na sexta-feira passada. Nos Estados Unidos, o tipo de referência há 30 anos baixou a 5,392%.
Em seu conjunto, as emissões dos Estados europeus são as mais beneficiadas pelos sustos. A chegada do euro dá inclusive mais atrativo aos valores estatais europeus, em particular os alemães, assinalam os economistas.
Ante a perspectiva da moeda única, os bancos centrais dos países asiáticos, em particular o Japão, China, Tailândia, Cingapura e Coréia do Sul, começaram a incrementar a parte de suas reservas de câmbio de marcos alemães. Considerados como os títulos europeus de referência, os empréstimos alemães são os mais procurados, o que explica a diferença de 0,14 ponto entre o empréstimo público alemão (bund) e seu equivalente francês (OAT).
Crise derruba primeiro-ministro russo, Victor Chernomyrdin. Leia na pág. 8 do primeiro caderno).

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