São Paulo - Os investidores do setor de energia ainda esperam que o Senado consiga fazer algumas alterações na Medida Provisória (MP) que criou o novo modelo do setor elétrico. Um grupo de empresários viajou ontem a Brasília para acompanhar os trabalhos do Senado, que deve votar a MP hoje.
A expectativa é que o relator da MP no Senado, Rodolpho Tourinho (PFL-BA), consiga chegar a um acordo com o governo sobre algumas das propostas apresentadas pelas empresas do setor.
''O novo modelo tem imperfeições e a nossa expectativa é que se corrija esses problemas'', disse Cláudio Sales, diretor-presidente da Câmara Brasileira de Investidores de Energia Elétrica (CBIEE).
A principal preocupação das empresas está relacionada ao tratamento diferenciado para a comercialização das chamadas energias ''nova'' e ''velha'' provenientes de novas usinas ou de usinas já instaladas no País. De acordo com os investidores, o novo modelo cria distorções de preços que prejudicam as empresas que já estão instaladas. Eles reivindicam o direito de vender energia também nos leilões de energia nova e não apenas naquele destinado à energia velha (já amortizada) e que terá preços mais baixos.
Outro ponto criticado na MP é o repasse de parte dos custos com a compra de energia nos leilões regulados para as tarifas cobradas dos consumidores. O novo modelo não determina quanto será o repasse e os investidores querem que seja de até 100% do valor. A alegação é que a indefinição sobre esse repasse impõe um risco desnecessário às concessionárias.
Estudo realizado pela Tendências Consultoria a pedido da Tractebel e da Duke Energy aponta que o novo modelo ''coloca em risco a credibilidade do País e a capacidade de atrair novos investimentos para o setor''. ''O novo modelo dá um imenso poder para o governo regular o setor por meio de decretos e satisfazer interesses políticos de curto prazo. E o setor de energia elétrica precisa de garantias de longo prazo'', disse Ernesto Guedes, um dos autores do trabalho.
Um outro estudo da Tendências mostra que os investimentos no setor de energia teriam de R$ 20 bilhões ao ano nos próximos dez anos no caso da economia crescer em média 3,5% ao ano. O Estado tem capacidade de investir apenas R$ 9 bilhões. O restante precisaria ser completado pelo setor privado.

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