Investidor pode tirar proveito da melhora no cenário externo
Agência Estado
De São Paulo
O mercado de investimentos está mais sujeito a focos de instabilidade externa que interna, no curto prazo, na avaliação de Gina Baccelli, economista-chefe da Lloyds Asset Management (LAM). São duas, basicamente, as fontes de volatilidade: a elevação das cotações do petróleo, e seu efeito sobre a inflação e os juros domésticos, e o processo de elevação em curso das taxas de juros dos EUA.
Ambas as questões são apontadas como fatores determinantes para que o Banco Central mantenha o juro básico, referenciado na taxa Selic do overnight, em 19% ao ano e o mercado de ações fique zanzando sem clara tendência. Gina comenta que a reunião dos países produtores de petróleo (Opep) hoje pode clarear um pouco o cenário, embora acredite que uma possível decisão pelo aumento de produção não seja suficiente para provocar forte tombo nos preços.
A ação do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) para elevar os juros norte-americanos deve ter continuidade, mas a magnitude da alta vai depender da resposta da economia, que tem sido lenta, destaca, referindo-se à persistente expansão da atividade econômica nos EUA, apesar das seguidas correções nas taxas de juros.
Por aí, a instabilidade tende a continuar, embora em menor grau. Mais: como a próxima reunião do Fed para decidir o nível dos juros está marcada apenas para 16 de maio, a economista-chefe da LAM prevê que abril pode ser um mês em que o cenário externo não deve perturbar demasiadamente o mercado doméstico.
Gina destaca a melhora do cenário interno, principalmente a curva declinante da inflação, como o fator que encorajou o Banco Central a mudar o viés (tendência) dos juros para o de baixa na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quarta-feira. A expectativa dela é que, depois de manter o juro básico em 19% por causa de incertezas com o preço do petróleo, o BC corte 0,25 ponto porcentual a taxa básica, após a reunião da Opep e possivelmente antes da próxima reunião do Copom, marcada para 18 e 19 de abril.
Sacramentada essa redução, o juro primário poderia recuar mais 0,25 ponto porcentual ainda no primeiro semestre, dependendo do cenário, prevê.
Onda aplicar O quadro é favorável para a Bolsa, que dá sinais de retomada de valorização, comenta. Embora a instabilidade externa ainda atrapalhe, o investidor que persegue rentabilidade no médio prazo pode tirar proveito com aplicação em fundos de ações. Sem volatilidade externa, o mercado de ações vai responder mais a fundamentos domésticos, que são muito bons.
Para o investidor sem familiaridade com as ações, ela sugere um fundo multicarteira. Nele, o administrador faz a alocação de recursos para aproveitar as melhores oportunidades do mercado, explica.
Na renda fixa, os fundos DI são indicados para o investidor que não quer correr riscos. A sugestão para quem suporta uma pitada de risco são os fundos de derivativos. Gina lembra, no entanto, que, para perseguir uma rentabilidade mais atraente, esses fundos estão assumindo riscos maiores em ações e dólar, reforçando também a volatilidade.





