O presidente mundial do BankBoston e presidente do FleetBoston Global Bank, Henrique Meirelles, disse ontem que o próximo governo, independentemente de quem venha a vencer as eleições de outubro, não terá margem alguma de manobra para tornar flexíveis as políticas monetária e fiscal do País. Ele participa, em Fortaleza, da Assembléia-Geral do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Indagado se o próximo governo teria condições de adotar uma política fiscal menos restritiva do que a atual, Meirelles respondeu que não, embora acredite que a taxa de juros esteja ainda muito alta. O executivo avalia que, assim que atingir o status de ‘‘investment grade’’ (alto grau de investimento), o Brasil conseguirá atrair mais capital externo, com o qual poderá baixar a taxa de juros.
O presidente do BankBoston no Brasil, Geraldo Carbone, concorda que uma eventual vitória da oposição nas eleições presidenciais de outubro não deverá provocar traumas significativos para o mercado. ‘‘Os fundamentos econômicos têm hoje para os investidores peso maior em suas decisões. Para o executivo, existem duas questões importantes a ser consideradas. Uma, disse Carbone, é que não existe nenhum partido discordando da importância do controle da inflação e, dois, também ninguém pretende desrespeitar o equilíbrio fiscal.
Para o presidente do Banco Central da Inglaterra, Edward George, qualquer que seja o candidato que vença as eleições no Brasil, deveria manter as mesmas políticas macroeconômicas que vêm sendo adotadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso. George espera que a eleição no Brasil não tenha repercussões sobre a performance da economia brasileira em 2002. ‘‘O Brasil obteve sucesso e deve mantê-lo.’’

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