O investidor vai continuar enfrentando turbulências, originadas da deterioração do cenário externo. O economista-chefe e estrategista da ABN AMRO Asset Management, Hugo Penteado, aponta como fonte de tensão nos mercados, além da crise argentina, as incertezas com a economia global, supostamente à beira de uma recessão.
A crise externa, que afeta o fluxo de capitais, lança dúvidas sobre o financiamento externo do País. Que dizer, sobre a capacidade do Brasil de atrair divisas para financiar o déficit em conta corrente da balança de pagamentos e fechar as contas externas este ano. Daí a pressão sobre a cotação do dólar, comenta.
Difícil é saber, tecnicamente, o efeito da alta do dólar sobre a inflação. ‘‘O que se sabe é que a transmissão é tanto mais acentuada quanto maior for o crescimento da economia. E a economia indicou uma aceleração na margem’’, avalia. Segundo ele, a política monetária depende da evolução do cenário externo e do comportamento do dólar. Em caso de agravamento do quadro, ‘‘não se descarta a possibilidade de convocação de uma reunião extraordinária pelo Banco Central para elevar os juros’’.
O economista afirma que o cenário externo pode dar uma clareada em dois meses. Até lá os novos dados, até agora mais contraditórios que esclarecedores, poderão dar uma idéia sobre a quantas anda a economia norte-americana. ‘‘Os dados divulgados até agora não indicam deterioração da economia.’’
Em termos mais imediatos, o investidor deve acompanhar a evolução da crise argentina com o interesse focado em três pontos. Primeiro, é preciso saber se o ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, obterá dos partidos políticos os poderes especiais para acelerar as reformas estruturais; segundo, se as propostas serão aprovadas pelo Congresso; e terceiro, se a Argentina obterá empréstimo-ponte do Tesouro dos EUA para saldar os compromissos externos de curto prazo. ‘‘O ministro Cavallo precisa agir rápido, porque o mercado está impaciente’’, comenta o executivo.
O momento é de cautela redobrada para o aplicador, segundo Penteado. No porto seguro, que é a renda fixa, ele sugere os fundos DI, que rodam com juros correntes. Não é indicada, porém, mudança de um fundo de derivativos para um DI, por exemplo, influenciado pelos cenários. Senão por outros motivos, por causa da CPMF. ‘‘O investidor deve analisar bem antes de fazer a escolha. Escolhido o fundo e feito o investimento, o investidor deve esquecer. Jamais deve migrar entre os fundos da família de renda fixa. O administrador é quem deve operar o cenário, e não o aplicador.’’
O que o investidor deve fazer é avaliar o desempenho e, se for o caso, trocar de fundo apenas se o administrador não estiver acertando.

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