Investidor migra para cadernetas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de julho de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Os consumidores podem estar trocando as compras pela poupança. Pelo menos é o que sinalizam os relatórios da rede bancária, que desde janeiro contabiliza aumento no número de novas cadernetas de poupança. Somente o Banco do Brasil registrou em junho um aumento de 19% no volume de poupança em relação ao mês de janeiro, no Estado. A procura desenfreada pelo investimento está atrelada tanto à redução do consumo quanto à cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
Em janeiro deste ano, quando entrou em vigor a CPMF, houve uma migração intensa dos investidores para a poupança, que fugiam da cobrança do imposto. Após três meses sem movimentar a conta, o cliente fica isento do pagamento de CPMF. O Banestado registrou em janeiro a abertura de 103 mil novas contas de poupança. No mês seguinte, o número caiu para 34 mil contas. Não há dúvidas que a explosão de janeiro está atrelada à CPMF, afirmou o diretor de crédito imobiliário do Banestado, Ricardo Khury. Ele cita também a mudança do perfil do consumidor. Parece que prefere poupar o dinheiro para depois comprar.
O índice de reajuste da poupança ainda permanece abaixo se comparado com alguns Fundos de Renda Fixa ou depósitos de curto prazo. A projeção de rendimento da poupança para o próximo dia 9 de agosto é de 1,15%, enquanto o CDB está em torno de 1,25% - mas neste caso há o desconto da CPMF e tributação de 15% sobre o rendimento nominal.
A caderneta de poupança leva vantagem também no fator segurança. É alternativa segura, afirma Roseli Fricks Gomes, do Departamento de Produtos do Banco do Brasil.


