Investidor mantém interesse em título brasileiro
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terça-feira, 15 de junho de 2010
Adriana Fernandes<br>Agência Estado 
Brasília - A crise fiscal nos países da Europa não reduziu o apetite dos investidores estrangeiros por papéis da dívida interna brasileira, afirma o subsecretário do Tesouro Nacional, Paulo Valle. De olho na tendência atual de maior diversificação dos portfólios dos investidores estrangeiros - hoje ainda muito concentrada em aplicações em papéis do Tesouro dos Estados Unidos -, o subsecretário aposta que o Brasil tem tudo para ocupar uma fatia ainda maior no mercado internacional de títulos públicos.
A tendência, diz ele, é de manutenção do ritmo de crescimento da participação de estrangeiros na dívida interna em títulos públicos, que em abril correspondia a 8,63% do estoque total de R$ 1,49 trilhão. Segundo ele, a demanda pelos papéis brasileiros continua firme mesmo no cenário de maior incerteza em relação ao impacto da crise europeia na economia mundial.
Muito mais do que devido aos juros elevados, a razão para o interesse dos estrangeiros no Brasil, avalia o subsecretário, é o quadro de maior crescimento da economia. Enquanto outros países enfrentam dificuldades para retomar um crescimento mais forte, o Brasil está em condições mais favoráveis.
''O Brasil é o país que tem a melhor perspectiva de crescimento'', destaca Valle, que na próxima semana participa de um road show em Nova York, Boston e São Francisco para ''vender'' o Brasil para os investidores estrangeiros. O road show está sendo organizado pelo BEST (Brazil Excellence Securities Transactions), grupo formando pelo Tesouro, Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Ambima), Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e BM&FBovespa para promover no exterior o mercado de capitais brasileiros. ''Existe uma tendência muito grande de diversificação de portfólio e o Brasil vai ser beneficiado por isso'', afirma Valle.
De acordo com o subsecretário, o Tesouro, apesar do quadro de maior turbulência do mercado, vem conseguido ao longo deste ano cumprir a estratégia de administração da dívida prevista no Plano Anual de Financiamento (PAF), mesmo deixando de vender os papéis quando há forte dispersão das taxas, como aconteceu recentemente em dois leilões de venda da NTN-F 2021(título prefixado com prazo mais longo vendido no mercado interno). A decisão de não vender os papéis oferecidos, segundo Valle, refletiu a grande dispersão de taxas pedidas pelos investidores, o que sinaliza falta de consenso do mercado.
''Não tivemos problemas de demanda. Mas, nos momentos de forte dispersão, preferimos não vender'', afirma Valle, destacando que no leilão da quinta-feira passada o Tesouro voltou a vender a NTN-F com vencimento em 2021. Ele ressalta que a crise provocou elevação dos prêmios pedidos pelos investidores, mas não reduziu a demanda. ''Nada mudou na nossa estratégia'', diz.
Para o subsecretário, a estratégia de alongamento da dívida com a venda da NTN-F 2021 está sendo bem-sucedida, com um estoque no mercado que já chega a R$ 8 bilhões. Esse papel começou a ser vendido em fevereiro deste ano. De acordo com Valle, a NTN-F de 2021 tem uma base de investidores mais diversificada entre estrangeiros e brasileiros, o que não acontecia com a NTN-F 2017 - até então o papel prefixado mais longo vendido pelo Tesouro.


