Agência Folha
De Brasília
A participação do capital estrangeiro no total de investimentos no País cresceu mais de 16 vezes desde o início da década, segundo estudo dos economistas da Unicamp Fernando Sarti e Mariano Laplane, baseado em dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Em 1990, do total gasto com compra de equipamentos, instalação ou modernização de fábricas, 1,2% era dinheiro vindo do exterior. No ano passado, a participação subiu para 19,4% (dados de janeiro a setembro). Como a taxa de investimento global da economia, que inclui os gastos de capitais nacionais, do governo e do capital externo, não cresceu no mesmo ritmo, Sarti conclui que o capital externo está substituindo o nacional. O fenômeno é mais visível a partir de 1995.
A taxa de investimento permaneceu praticamente estabilizada, entre 16,5% e 18% do PIB (total de riquezas produzidas pelo País), mesmo com a entrada maciça de capitais estrangeiros. Em 1997, ano em que a taxa de investimento atingiu seu ápice, nos últimos dez anos (17,9%), o Brasil recebeu US$ 17,1 bilhões. No ano passado, até setembro, o Brasil já havia recebido US$ 23,8 bilhões, 27,27% a mais que em 98. A taxa de investimentos estava em 17,2%. Os dados finais de 1999 mostraram que o País recebeu US$ 30 bilhões em investimentos estrangeiros.
‘‘Essa é a desnacionalização do setor industrial e de prestação de serviços no Brasil’’, afirma Sarti, crítico do processo de abertura do governo de Fernando Henrique Cardoso. Esse processo de substituição do capital nacional pelo capital estrangeiro se deve à falta de uma política industrial e de financiamento, afirma.

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