São Paulo - Desde que a agência de classificação de risco de crédito Standard & Poors (S&P) elevou o Brasil ao chamado grau de investimento, no fim de abril, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) despencou mais de 12%. Depois que a agência Fitch também concedeu ao País essa espécie de ISO 9000 do mundo das finanças, no dia 30 de maio, o mergulho é ainda mais profundo: 18,22%.
  O mau desempenho causa estranheza a muitas pessoas, principalmente àquelas não habituadas às repentinas mudanças de humor dos investidores no mundo globalizado. Afinal, o grau de investimento foi vendido pela maioria dos agentes financeiros como um elixir milagroso, que atrairia para o Brasil um volume de recursos contado na casa dos bilhões de dólares e euros.
  Mas, se houve um movimento até agora, ele foi de saída: em junho, a fuga de investidores estrangeiros da Bovespa alcançou o recorde de R$ 7,4 bilhões. Entre os profissionais de mercado, alguns reconhecem que houve exagero na criação de expectativas positivas. Outros acham que não. Divergências à parte, a maioria avalia que o momento turbulento nas bolsas globais é conjuntural e as perspectivas de médio e longo prazos para a economia brasileira - e conseqüentemente para o mercado local - continuam boas.
  ‘‘Essa história do grau de investimento foi simplificada por muitos bancos que queriam vender empresas e ações brasileiras lá fora’’, diz Paulo Bilyk, sócio da gestora de recursos Rio Bravo. ‘‘O grau de investimento é algo que traz benefícios graduais. Seria patético achar que tudo mudaria no País de uma hora para a outra.’’
  De acordo com analistas, é normal que as bolsas de valores dos países que recebem essa promoção passem por uma fase de realização de lucros logo após a concessão. Ou seja, investidores com ações nesses lugares aproveitam a euforia provocada pelo grau de investimento para vendê-las e embolsar algum lucro.
  Essa euforia está relacionada à própria natureza do título. A obtenção do grau de investimento indica que um país ou uma empresa tem baixa probabilidade de dar calote. Essa chance é medida em uma escala. Quando uma nação está um nível abaixo da nota considerada grau de investimento, muitos especuladores começam a comprar ativos nesses locais, na expectativa de que a demanda por seus papéis cresça.
  Isso ocorre porque vários fundos globais - sobretudo de pensão - têm em seu estatuto regras que impedem aplicações em países sem o selo de qualidade das agências. Em resumo, as nações passam a ter acesso a uma bolada de recursos, o que, em tese, pela lei de oferta e demanda, valoriza seus ativos.

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