Investidor deve evitar aplicações de risco
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
Em cenário de transição, como o que atravessa a economia, ampliam-se as incertezas, senão por outras razões, pela falta de claras definições. Feita a desvalorização do real, a quantas anda a inflação? E como ficarão os juros e o câmbio, que, embora considerado livre, deve exigir intervenções do Banco Central para evitar bruscos solavancos de taxas? A falta de respostas convincentes a essas dúvidas deixa o investidor inseguro e exposto a perdas até mesmo em aplicações de renda fixa, que, conceitualmente, não oferecem riscos.
A economista-chefe da Lloyds Asset Management (LAM), Gina Baccelli, afirma que no momento se deve correr o mínimo risco e evitar decisões precipitadas. Ela indica os fundos com rentabilidade dada pelos títulos pós-fixados, como os DI, e desaconselha as aplicações com rendimento prefixado. O motivo é o sentimento de alta da inflação e, com ela, a possível alta dos juros.
A alta da inflação é condição necessária, porém não suficiente, para a elevação dos juros, comenta Gina Baccelli. Se a inflação ficar em 2% num mês, mas, passada a fase de correção de preços relativos por causa da desvalorização do real, traçar curva decrescente nos demais, não tem por que aumentar os juros. A subida dos juros só tem sentido se a aceleração da inflação propagar-se pelos meses seguintes, alimentada pela indexação.
Daí por que o investidor não deve tomar decisões precipitadas considerando por base o resultado da aplicação em apenas um mês. Qualquer decisão de mudança de investimento exige análise de médio prazo.
As ações são indicadas apenas como investimento para um horizonte de médio e longo prazo, para dois a três anos, desde que o investidor aceite a volatilidade das cotações. Nesse caso, se o País voltar a crescer sem o desequilíbrio do momento, o investidor poderá ser premiado com forte valorização das ações.


