Investidor deve diversificar aplicações
Agência O Globo
A queda da taxa básica de juros diminuiu a rentabilidade da renda fixa e está provocando uma unanimidade entre os administradores de recursos: é hora de diversificar as aplicações. A regra, uma recomendação clássica no mundo financeiro, deixou de ser considerada por parte dos investidores desde meados de 1998 devido à alta do juro.
Em março último, a Selic chegou a 45% ao ano, garantindo um ganho bruto mensal de quase 3% para quem aplicasse seu dinheiro em fundos de renda fixa. Desde então, o juro caiu e a projeção de rentabilidade da renda fixa diminuiu para um máximo de 1,63% ao mês para quem aplicar nos próximos dias.
A queda do juro reduz também a rentabilidade da poupança, que em julho deve ser de 0,80%, em média, segundo estimativa do Banco Real. Os CDBs de 30 dias deverão pagar entre 1,11% (para pequenos aplicadores) e 1,50% (grandes quantias) nos grandes bancos de varejo. As opções são as aplicações de renda variável, sem garantia de rentabilidade, e os fundos cambiais, sujeitos ao comportamento do mercado após a mudança da política cambial.
Diversificar as aplicações dilui o risco e garante ganhos melhores no longo prazo. Principalmente porque as taxas de juros já recuaram e devem cair mais, diz o diretor de fundos de renda variável do banco BNP, Nicolas Balafas.
Até 21 de junho, os fundos de ações lideravam em rentabilidade, com ganho bruto acumulado de 7,86%, na média do mercado, segundo a Anbid, que mostra também que os fundos de renda fixa apresentavam ganho de 1,11%, enquanto as aplicações em fundos cambiais rendiam 3,78%. A rentabilidade média da poupança estava em 0,82%. Já os CDBs acumulavam variação de 1,60% desde o início do mês.
É preciso levar em conta que esses ganhos encolhem depois de subtraídos os impostos. Em todas as aplicações está sendo cobrada a CPMF desde o dia 17 último. A alíquota, 0,38%, é cobrada cada vez que há uma transferência da conta corrente para um investimento e no saque do dinheiro da conta.
Por isso, é bom planejar as movimentações, pois quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menor será o peso do imposto. Os próprios bancos se encarregam de estimular isso, oferecendo isenção da CPMF, após um período de carência.
Além da CPMF, os fundos de renda fixa e cambiais pagam 20% de imposto de renda sobre o ganho nominal. Nos fundos de ações, a alíquota de imposto de renda é de 10%. O consultor financeiro Louis Frankenberg afirma que a diversificação das aplicações tem de levar em conta o perfil do investidor.
Mas o primeiro passo é comum a todos: caderneta de poupança. Frankenberg defende a idéia de que todos devem manter pelo menos R$ 20 mil nesse tipo de aplicação, embora ela tenha a menor rentabilidade.
Frankenberg é mais um dos defensores da diversificação. Para jovens solteiros que tenham mil reais disponíveis para investir mensalmente, ele sugere dividir o dinheiro entre a poupança e o mercado de renda variável. Vários fundos de ações de bancos de varejo aceitam depósitos iniciais de mil reais e exigem R$ 500 nas reaplicações. Deve-se escolher um fundo que seja administrado por uma instituição sólida.
Quando o investidor é um casal jovem e com filhos, Frankenberg aconselha um pouco mais de cautela. Para os mesmos mil reais mensais disponíveis, o consultor mantém a recomendação de que metade deve ser depositada na poupança. Os outros R$ 500 devem ser divididos entre um fundo de renda fixa atrelado ao CDI (que acompanha a oscilação diária dos juros) e um fundo de ações conservador. Quem investe sistematicamente, sempre ganha. Mas o aplicador não pode arriscar tudo porque o País não resolveu por completo seus problemas, diz Frankenberg.
Balafas, do BNP, defende ainda a pulverização e o investimento na renda variável. Sua recomendação é de que 20% das economias sejam aplicadas em ações. Para o administrador de renda fixa do Icatu Investimentos, Teodoro Messa, os fundos cambiais também não devem ser esquecidos. Ele lembra que essas aplicações renderam 4,48% em maio e devem fechar junho pouco abaixo disso, segundo a Anbid.
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