Investidor deve diversificar
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domingo, 06 de agosto de 2000
Agência Estado De São Paulo 
A contínua melhora do cenário doméstico, reforçada também por um quadro internacional com menos incertezas, sugere que o caminho do investidor deve ser o da diversificação de aplicações para obter uma rentabilidade maior que a oferecida pelas taxas de juros cada vez mais baixas. O economista-chefe da Sul América Investimentos, Luiz Carlos Costa Rego, não está entre os que ainda vêem o cenário externo carregado de incertezas, principalmente com os juros e as ações nos EUA. É preciso olhar corretamente os dados que estão sendo divulgados nos EUA, afirma.
Em sua análise, alguns indicadores, como o que apontou um crescimento de 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano no segundo trimestre, estão sendo equivocadamente interpretados. Dois indicadores agregados nesse índice, o de consumo, em queda, e o de investimento, em alta, vão ao encontro do que espera o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central do EUA), Alan Greenspan, aponta. Os juros norte-americanos não vão subir na reunião do Fed, no dia 22. O único foco de preocupação externa é a Argentina, afirma Costa Rego, mas sem afetar os mercados no curto ou médio prazo.
Mantido o cenário externo e o doméstico, recheado por uma coleção de indicadores positivos que há muito não se viam, segundo o economista-chefe da Sul América Investimentos, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve cortar mais um pouco o juro básico na reunião que começa dia 22 e termina dia 23. Não tem por que não cortar, observa, comentando que a taxa básica de juro pode cair meio ponto porcentual, de 16,50% para 16% ao ano, porque a elevação da inflação no mês passado e neste é apenas circunstancial.
Uma das fontes de preocupação persistente na área política, o suposto envolvimento do alto escalão do governo no escândalo da obra superfaturada do TRT paulista, deve ser mantida, embora atenuada após a convincente defesa do ex-secretário da Presidência Eduardo Jorge, na Subcomissão do Senado, afirma ele.
Uma perspectiva de esvaziamento da crise política reforça o cenário positivo para a valorização da Bolsa de São Paulo, que, em sua projeção, poderia chegar ao redor de 20 mil pontos no fim do ano. Pelo fechamento de sexta-feira, em 16.761 pontos, isso daria uma valorização de 19,32%. O investimento em ações, ainda assim, deve ser feito com idéia de médio e longo prazo, lembra. Ele sugere a diversificação do investimento entre os fundos de renda fixa, para quem não pretende correr muito risco, e os fundos de ações e derivativos, para quem tem apetite pelo risco.
O diretor do Banco AGF Braseg, Kazuhiro Miyamoto, também ressalta que, com a queda dos juros, será preciso arriscar um pouco para conseguir rentabilidade melhor. Os fundos multicarteira aplicam parte dos recursos em renda fixa e parte em ações e são uma opção para o investidor que quer aproveitar as perspectivas positivas para a bolsa.


