A aplicação dos pequenos investidores nos fundos de ações cresceu sete vezes em relação ao início do Plano Real. O crescimento foi verificado em alguns dos principais bancos que trabalham com os fundos de renda variável. Nem mesmo as recentes oscilações do mercado financeiro, que provocaram quedas recordes nas Bolsas de São Paulo e Rio de Janeiro, afastaram quem decidiu trocar a aplicação segura da poupança pelo risco das ações. A carteira de investimento em ações do Banco do Brasil fechou em R$ 3 bilhões, nesta semana, contra R$ 400 milhões em julho de 1994.
Os operadores dos fundos de ações acreditam que a corrida ao mercado de risco está atrelado à baixa rentabilidade da poupança. ‘‘Aos olhos do poupador, os índices de juros ficaram muito pequenos, após o Plano Real’’, afirmou o gerente dos fundos de investimento do Banco do Brasil, Danilo Américo Gonçalves. Enquanto a rentabilidade da poupança tem se mantido na faixa de 1% ao mês, os fundos de renda variável podem alcançar patamares de até 10%.
Levantamento feito pelo Banco do Brasil mostra que os fundos de ações tiveram alta de 78,5% no primeiro semestre deste ano. Os fundos de renda fixa fecharam o semestre com uma variação de 9,5%. ‘‘Quem aplicou R$ 1.000,00 em ações, no início de janeiro, tem hoje R$ 1.800,00. Quem aplicou a mesma quantia num fundo de renda fixa tem R$ 1.090,00’’, comparou Gonçalves.
Mas aplicar em bolsa não é sinônimo de ganhar dinheiro. Assim como pode representar um ganho de 10%, pode dar também uma perda de 10%. ‘‘É um mercado de risco, por isso aconselhamos que os investimentos sejam feitos a médio ou longo prazo’’, diz o gerente da mesa de operações do Paraná Banco, Marco Aurélio Merhy. Ele concorda que a corrida aos fundos de ações e outras opções de maior risco se deve aos percentuais que podem ser obtidos no final do mês.
‘‘O índice é convidativo. Tem muita gente que cansou de ganhar 1,5% na poupança e partiu para aplicações mais agressivas’’, disse Merhy.
O Paraná Banco registrou um crescimento de 80% no número de aplicadores, que investem no Fundo Paraná Linear. O fundo de renda variável de derivados é administrado pela Linear Administradora Patrimonial. O dinheiro é aplicado não somente em ações, mas em CDBs, debêntures ou indicadores financeiros que estejam em alta. A renda média acumulada neste ano é de 24%, enquanto o CDB médio ficou em 10,2% e a poupança em 7,1%, no mesmo período.

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