O desaquecimento da economia e a possibilidade de redução do rating (nota) do Brasil pelas agências internacionais de classificação de risco não tiraram o apetite dos investidores canadenses pelo País. Pelo menos é o que afirma o cônsul comercial do Canadá, Benoit Préfontaine. Ele esteve ontem em Londrina para participar do I Encontro de Negócios Internacionais – Doing Business em Canadá (Fazendo Negócios no Canadá), realizado pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Instituto Mercosul e Agência de Desenvolvimento Terra Roxa.
Além de Préfontaine, vieram à cidade o vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil Canadá, Antônio Flávio de Castro e Conde, a vice-cônsul Ramneet Sran, o consultor comercial do consulado Márcio Francesquine e o diretor da empresa ferroviária CN John Kirkup, entre outros representantes. "Os fundos de investimento e as empresas canadenses têm sede de investir no Brasil", afirma o cônsul. Segundo ele, obras de infraestrutura como rodovias, portos e aeroportos estão entre as que têm chances de receber recursos do Canadá.
O consulado vem tentando se aproximar da iniciativa privada do Paraná desde o ano passado. Em maio, o cônsul geral Stéphane Larue esteve em Londrina, Cascavel, Maringá e Curitiba. Em setembro, uma comitiva de representantes da província canadense de Manitoba veio à cidade. E, em novembro, um grupo de empresários da região Norte do Paraná foi ao Canadá. O cônsul comercial disse ontem que ainda não há nenhum negócio fechado, mas várias oportunidades. Segundo ele, representantes de outras nove províncias também virão ao País.
O diretor da CN falou aos empresários de Londrina sobre a possibilidade de exportação por uma rota alternativa a Nova York. Segundo ele, esse trajeto vai dos portos brasileiros até Nova Orleans (EUA), e depois, via ferrovia, até Toronto, no Canadá. "Por essa rota os produtos levam de três a quatro dias menos para chegarem ao destino", cita.
Apesar de ter abordado grandes investimentos, o cônsul comercial deixou claro que o foco dos canadenses no Brasil são pequenos investimentos na área de tecnologia e inovação. Tanto é que a vice-cônsul visitou a Incubadora da Universidade Estadual de Londrina (Intuel). "Foi o primeiro contato, pretendemos voltar mais vezes", declara Sran. Ela diz que as universidades são muito importantes para a economia canadense e que seu país tem interesse em levar cada vez mais brasileiros para estudarem lá. "O Canadá é o primeiro destino de estudantes brasileiros em cursos de inglês por vários motivos. É um país seguro e multirracial. Além disso, é bilíngue, o que significa que tem tradição no ensino de uma segunda língua", afirma.
Segundo o vice-presidente da Câmara de Comércio, o Canadá recebe 25 mil estudantes brasileiros por ano, além de outros 4 mil do programa Ciências sem Fronteira, do governo federal. "O Canadá tem uma grande vantagem que é oferecer ao estudante um visto que também permite a ele trabalhar no país", ressalta.

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