Símbolo da culinária nacional, a feijoada se torna um dos pratos mais consumidos nesta época do ano. Mesmo assim o mercado do feijão preto está conseguindo manter um razoável equilíbrio entre a oferta e demanda. O aumento de consumo provoca também ligeiras oscilações de preços de um estabelecimento para ao outro, por isso o consumidor deve pesquisar bem e observar com cuidado as etiquetas com o prazo de validade dos produtos.
Apesar das oscilações de preços, o feijão não é o produto mais caro da feijoada. Os defumados e a carne suína - normalmente miúdos como pés, orelha, o rabo e peles de porco - resultam num paladar verdadeiramente brasileiro, mas acabam encarecendo o prato.
Uma boa feijoada precisa estar ''recheada'' de ingredientes. Os bons cozinheiros informam que para cada um quilo de feijão preto são necessários três quilos de ingredientes. Numa volta pelo Mercado Shangri-lá, a reportagem da Folha constatou que uma boa feijoada com 10 tipos de carne e um quilo de feijão de boa qualidade, acompanhado de couve e laranja, pode sair por R$ 50,25 para uma família de seis pessoas. Só para ter uma comparação, uma porção para duas pessoas em restaurantes pode custar R$ 21.
Na tomada de preço feita pela reportagem, cerca de 300 gramas de bacon pode custar em torno de R$ 5,10. Se preferir o lombo defumado, 300 gramas pode sair por cerca de R$ 8. A mesma quantidade de linguiça calabresa e de paio vai sair por R$ 8 juntos, sem contar os pés e orelha que custam em média R$ 7,50 o quilo. Para cada 300 gramas de um desses produtos se gasta R$ 2,25. O rabo tem o preço mais elevado, 300 gramas vai custar R$ 3,30. Usando a quantidade de 300 gramas para a costelinha defumada, o consumidor vai desembolsar mais R$ 4,95 e a mesma quantidade de costela salgada vai custar R$ 4,05.
O funcionário dos Irmãos Furuta, Sandro Carolho, conta que nos finais de semana tem vendido mais de 100 quilos de feijão preto. ''Nesta época a procura é muito grande, porque todo mundo quer fazer a feijoada'', diz ele, contando que o estabelecimento oferece dois tipos de feijão preto - o nacional e o argentino que tem uma cor opaca. ''Este aqui, não solta a cor quando fica de molho na água. Ele deixa a feijoada com o caldo mais grosso'', ensina ele, apontando para o feijão argentino que custa R$ 4,50 o quilo. O nacional sai por R$ 4.
Na casa de carnes da mesma família no Mercado Shangri-la, Milton Furuta, diz que as vendas das carnes utilizadas na feijoada dobraram nos últimos dias. Segundo ele, a linha de defumandos é fabricada por eles mesmo que processam as carnes no local. Ele acha que o consumo podia ser até maior, se o prato não tivesse um conceito diferente por aqui em comparação com outras localidades do Brasil. ''Aqui se come mais no inverno, mas nos outros estados, como o Rio de Janeiro, se come feijoada o ano inteiro'', observa Furuta.
No supermercado Fatão, o gerente Moacir Gomes Júnior diz que as vendas de defumados e feijão preto também dobraram. ''O feijão preto tem pouca saída o ano todo, mas nesta época vende bem. Junto com ele, constatamos aumento em defumados e carnes suínas'', comenta Gomes Júnior. Em outro supermercado da área central, que pediu para não ter o nome publicado, os produtos industrializados para a feijoada podem custar R$ 6,95, com 880 gramas de carne (porção para seis pessoas). Neste mesmo mercado o pé da couve custava R$ 0,95 e o quilo da laranja em torno de R$ 0,33.

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