A evolução no consumo de confecções é inversamente proporcional à escala termométrica. Quanto menor a temperatura maior é o movimento nas lojas. Em Londrina, ontem, um rápido passeio pelo Calçadão comprovou essa regra. Os estabelecimentos comerciais estavam lotados de gente a procura de artigos típicos do inverno.
Antonio Verza Filho, gerente de uma loja popular na Avenida Paraná, espera um acréscimo de 30% nas vendas de agasalhos, blusas, jaquetas, cobertores e edredons. ''Compramos as mercadorias com bastante antecedência no preço à vista e, por isso, conseguimos desconto de 15% a 20%'', disse o gerente ao acrescentar que 70% das vendas são realizadas com dinheiro, cheque para 30 dias ou parcelamento em três vezes no cartão de crédito.
Na loja em que Nilton César Cessel administra, a expectativa é a mesma. A única diferença em relação ao entrevistado anterior é que no estabelecimento de Cessel a maioria das vendas têm sido à prazo com 10% de juros. ''Normalmente, as peças de inverno são mais caras e compradas em maior quantidade. Talvez essa seja a explicação para o parcelamento'', disse.
Na opinião de Nilze Florindo Villas Boas, o salário não acompanha a correção no preço das mercadorias e, sendo assim, a compra à prazo tornou-se a melhor alternativa para o consumidor. ''Trabalhei três anos como empregada doméstica e há três meses estou sem trabalho. Meu marido é pintor e só consegue bicos. O único empregado em casa é meu filho que encontrou colocação há pouco tempo'', justificou a dona de casa.
Numa famosa loja de departamentos, também no Calçadão, a procura por roupas de inverno cresceu tanto que o gerente Carlos Roberto de Júlio foi obrigado a buscar mercadoria em filiais de outros Estados. ''O estoque que deveria durar dois meses não passou de duas semanas. Nossa previsão é que o faturamento deste mês seja 50% superior a abril'', acrescentou Júlio que credita o sucesso das vendas à baixa concorrência com estalecimentos do mesmo tipo. A dona de casa Terezinha de Lucca contribuiu em parte com esse resultado. Embora tenha comprado roupas suficientes para a casa e a família, ela ainda pensa em aproveitar alguma oferta que, porventura, apareça. ''Uma manta ou um cobertor é um bom presente e, às vezes, o preço vale a pena'', disse a consumidora que confessa ter o maior prazer em comprar.
Os aquecedores de ambiente seguem o mesmo caminho das confecções e desaparecem rapidamente assim que chegam às lojas. A reportagem da Folha conversou com gerentes de três grandes lojas de eletroeletrônicos instaladas no centro da cidade e constatou a surpresa com a chegada repentina do inverno. De maneira geral, a procura começou de fato há uma semana e a previsão é que o volume de venda do produto supere 2003. Eles funcionam a gás ou eletricidade e variam de R$ 139 a R$ 289, de acordo com o sistema de alimentação.

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