Um empresário maringaense patenteou um equipamento que deve mexer com o mercado de biodiosel e ajudar muitos produtores rurais. Ele acaba de inventar um equipamento para processar biodiesel usando a energia solar. A invenção será apresentada oficialmente na 3 Mostra Tecnológica de Maringá, marcada para o mês de outubro.
O empresário José Benedito Jorge, 64 anos, conta que vem trabalhando na idéia há quatro anos e agora conseguiu aperfeiçoar o equipamento. Inicialmente, sua intenção era usar a energia solar para extrair óleo de amendoim e posteriormente de soja. Ambos seriam usados para o consumo humano. No entanto, nos últimos anos percebeu que seu invento seria melhor utilizado na fabricação de biodiesel, uma vez que o processo de extração do óleo usa elementos químicos.
Além de aperfeiçoar o uso da energia solar, Jorge também melhorou o método de extração do combustível. Ao invés de esmagar o grão, como acontece normalmente, ele utiliza processos químicos. Os grãos são misturados a um solvente dentro de um reator, que recebe o calor de um fluído aquecido pela luz solar. Após esse processo, ambos são separados e o solvente é reutilizado. ''Minha usina fabrica um combustível limpo, usando uma energia limpa. O processo e o resultado dele não agridem o meio ambiente'', ressalta.
Para fazer a captação da energia do sol, são utilizadas cinco placas de 5 x 2 metros montadas com espelhos convexos. Cada painel chega a receber 3 mil placas de espelho. ''O calor que será gerado fica armazenado na turbina. Isso pode fazer o equipamento funcionar até mesmo durante a noite, quando já não há mais sol'', revela. Segundo ele, no método mais usado hoje, é possível obter 150 litros de biodiesel com mil quilos de soja. Com seu equipamento, o número sobe para 220 litros.
''O processo extrai quase todo óleo da semente, ao contrário da moagem, que deixa muito para traz. Depois de regirar o óleo, ainda existe a sobra do farelo, que poderá ser usado para alimentar o gado'', explica. Segundo ele, sua máquina é capaz de fabricar combustível usando várias plantas, como soja, mamona, pinhão manso e caroço de algodão.
Ele ainda não sabe ao certo, quanto o equipamento custará, mas afirma que ela será acessível para médios e grandes produtores e também para empresas com grandes frotas. O combustível produzido pela máquina será mais barato, porque o custo com a energia é quase zero.
Seu objetivo é fazer com que o agricultor possa produzir seu próprio combustível de forma limpa e barata. A máquina que será apresentada na Mostra Tecnológica, terá capacidade para produzir de 3 a 5 mil litros de biocombustível por dia, mas o tamanho dela poderá ser redimensionado, conforme a necessidade de uso.
Ele conta que procurou algumas empresas para fazer uma parceria na produção da usina, mas sentiu que acabaria sendo prejudicado e perderia sua idéia. No final, custeou sozinho todo o projeto e acredita que agora depois de pronto deverá encontrar novos interessados.
''Eu montei uma empresa e contratei funcionários experientes. Eles me ajudaram a desenvolver o projeto, assim como um químico que me ajudou a elaborar o processo. Foi difícil manter os investimentos, mas agora sinto que isso deverá ajudar muita gente e principalmente o meio ambiente'', observa.
De acordo com Jorge, sempre quando apresenta seu projeto, houve as pessoas dizerem que a idéia é simples, uma vez que a energia solar já vem sendo usada há tempos. Ele mesmo tem desenvolvido outras tecnologias nesse sentido e promete apresentar mais novidades nos próximos anos.

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