Invento de Londrina reduz em 30% energia elétrica
Carina Paccola
Josoé de CarvalhoBaixo custoCalixto mostra o Economilux, ao lado de Marcelo e Piazzalunga: custo é equivalente ao de um reator tradicionalQuatro pesquisadores de Londrina, que tinham em comum a atuação na área de eletrônica, uniram seus conhecimentos e experiências e criaram um grande invento para a economia da energia elétrica. Trata-se de um processador digital de energia elétrica que promove a otimização entre a energia fornecida pela rede distribuidora e a lâmpada, reduzindo em 30% o consumo de energia elétrica. O invento, inédito, foi batizado de Economilux.
Os pesquisadores são Vicente Gongora, pós-graduado em eletrônica de potência na Universidade Federal de Santa Catarina; Marcelo Marzura, especializado em eletrônica de potência; Émerson Piazzalunga, especializado em eletrônica de potência para telecomunicações; e Carlos Calixto da Fonseca, com especialização no exterior em instrumentação científica e eletroquímica, com orientação da Universidade Federal de São Carlos. Os quatro já tiveram participação no Programa de Recursos Humanos e Áreas Estratégicas (RHAE) do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento) do Ministério da Educação. Nos últimos anos, a área estratégica definida pelo programa foi a de energia.
A idéia do processador surgiu há mais de dez anos. Mas foi dois anos atrás que os quatro resolveram se juntar para desenvolver o projeto na empresa Spyktron Essco. Há um ano o trabalho se intensificou. Em agosto de 97, o equipamento foi ensaiado no Instituto de Eletrônica de Potência (Inep) da Universidade Federal de Santa Catarina. Ainda será marcada a inauguração do Economilux na Incubadora Industrial de Londrina.
Milton DóriaEm TaiwanVicente Gongora: placa-mãe seria produzida inicialmente em Taiwan
O grande uso do invento é a rede pública de iluminação. O Economilux substituiria em cada poste o reator tradicional. Segundo Carlos Calixto, dois fatores explicam a economia de energia elétrica. Um deles é que o Economilux provoca a elevação do fator de potência, convertendo a energia reativa, que se perde na forma de calor, em energia ativa. Com esse processo, há economia de energia elétrica de no mínimo 15%.
O outro fator é que o Economilux aciona a lâmpada com nível de iluminação baixa. Isso é possível porque o microprocessador usa tecnologia Risk - a mais moderna -, que permite que o equipamento tome decisões e se comporte como controlador do nível luminoso. Os pesquisadores afirmam que o controle luminoso inteligente gera mais 15% de economia da energia elétrica, sem prejuízo visual.
Quando reduz 15% da intensidade luminosa, a lâmpada corrige o índice de cor. À vista humana, não há diferença, explica Calixto. O processador é programado para que, no início da manhã e ao entardecer, haja essa diminuição da intensidade luminosa; e a luminosidade da lâmpada volta ao normal com o passar das horas. Hoje, esse programa é fixo. Emerson Piazzalunga diz que o grupo já está desenvolvendo tecnologia para que uma central da rede operadora de iluminação pública possa alterar a programação, se necessário.
Calixto ressalta que, com o Economilux, há uma partida suave na lâmpada. O reator tradicional de lâmpadas consome quatro amperes ao partir. Com a partida suave, o consumo é de dois amperes. Toda essa redução no consumo de energia vai fazer com que as usinas possam disponibilizar mais energia para o consumo industrial.
A Spyktron já apresentou o Economilux à Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), que o enviou ao Laboratório de Aplicação da Copel (LAC). A empresa precisa viabilizar a fabricação do processador. A produção da placa-mãe inicialmente será feita em Taiwan, com a tecnologia da Spyktron. Lá o processo é automatizado; há equipamentos e mão-de-obra já disponíveis, diz Vicente Gongora. Com isso, haveria maior agilidade no início da produção.
Nossa intenção é ficar em Londrina. Podemos também fazer parceria com alguma grande empresa para a produção, diz Calixto. Os pesquisadores não sabem estimar quanto gastaram com o desenvolvimento do produto. Já partimos com a experiência de cada um; foram anos de estudo e viagens ao exterior.
Cada Economilux é vendido por R$ 100,00. É o custo equivalente ao de um reator tradicional. Em menos de um ano, a economia gerada pelo processador pagaria o investimento.Piazzalunga lembra que o Procel, programa da Eletrobrás que visa a redução do consumo de energia elétrica, tem dinheiro disponível para financiar projetos de economia de energia. A Spyktron está preparada para assessorar prefeituras e concessionárias de energia elétrica na elaboração de projetos, de acordo com as exigências do Procel. Eles lembram que a criação do Centro Tecnológico de Londrina também pode ajudar na produção do Economilux.





