O protecionismo da indústria brasileira contra a invasão desmedida de produtos têxteis chineses terminou no final do ano passado. O acordo de cotas, como ficou conhecida a medida protecionista bilateral entre o governo brasileiro e o governo chinês, previa que 72 produtos asiáticos têxteis poderiam ser vendidos, porém com restrições de volume. Sem as garantias de vendas restritas, uma nova avalanche de vestuário chinês está prevista para acontecer nos próximos meses, podendo provocar o desmonte da indústria nacional. A previsão é do coordenador Estadual de Vestuário do Sebrae Paraná, Edvaldo Pires Correa.
O Brasil viveu a mesma situação na década de 90, com várias indústrias têxteis fechando em todo país. Em 2005, o governo brasileiro adotou as savalguardas (medidas protecionistas) contra os produtos chineses. Segundo ele, o Brasil necessita se modernizar ainda mais em seu parque produtivo para fazer frente aos produtos mais competitivos chineses.
Ele informou que o país vendeu 150 milhões de peças em 2008, representando um crescimento de 5% na produção da indústria têxtil e 10% no comércio em relação a 2007. ''A indústria brasileira não terá um ano tão pujante como foi o ano passado'', afirma Pires, ao explicar que não só pela crise, mas também pela entrada indiscriminada de produtos têxteis chineses. ''Os chineses, mesmo com as cotas, vendem muito no Brasil'', acrescenta (veja quadro).
O especialista do Sebrae teme que o setor mais atingido no Paraná seja o de commodities de vestuário (roupas para o varejo). ''Este tipo de roupa envolve um baixo valor agregado e os chineses são fortes neste segmento. É aí que nossa indústria acaba não sendo competitiva em relação aos asiáticos'', descreve. Pires pondera que os compradores de vestuário preferem empresas que possuam produção seriada, em escala, que vendam em grande quantidade e por baixo preço. ''Neste setor, a indústria têxtil do Paraná e do Brasil não tem como competir'', alerta.
O Paraná, segundo Pires, está saindo da postura de mero produtor e criando sua própria moda. Estilistas estão sendo contratados para que as empresas agreguem valor à produção aumentando, assim, as competitividades externa e interna. ''Já para as pequenas indústrias, com menos capacidade de investimentos e estruturas mais enxutas, será necessário estudar formas de ajudar estas empresas paranaenses'', pondera.
O representante do Sebrae diz que será necessário saber como se comportará o mercado nos próximos meses, no sentido de avaliar qual foi a perda de mercado das pequenas empresas brasileiras em relação à indústria chinesa têxtil. ''A partir destas constatações vamos traçar estratégias para enfrentar esta nova realidade comercial'', explica Pires, ao acrescentar que a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) acompanha a questão de perto, através de um conselho setorial.

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