A maior competitividade entre empresas para conquistar e manter clientes está fazendo com que, cada vez mais, o mercado abra espaço para uma nova figura no mundo corporativo: o intraempreendor. Considerado a nova tendência do ambiente empresarial brasileiro nos últimos anos, o intraempreendor é o funcionário que propõem novas oportunidades de negócios, produtos e serviços, objetivando manter a competividade da empresa, mediante ideias que satisfaçam os desejos e as necessidades de seus clientes. ''O intraempreendedor é o que a empresa mais busca atualmente'', afirma Antonio André Neto, doutor em Administração e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
André explica que o intraempreendedor, como qualquer funcionário da empresa, tem contrato em carteira, além de todos os direitos e benefícios previstos em lei. A diferença está no fato de que o intraemprededor é um agente de mudança, capaz de agregar novos negócios e novas oportunidades, mantendo a empresa competitiva. ''Neste caso, além de direitos e benefícios, o intraempreendedor participa dos lucros da empresa'', acrescenta. Segundo ele, no Brasil este profissional ainda é raro, sendo mais comum nos Estados Unidos (EUA) e Europa.
O estudioso da FGV administrou empresas brasileiras como o grupos Gerdau, Eluma e Promon. O pesquisador também foi executivo de empresas em mais de 56 países, tendo 34 anos de experiência em administração e estruturação de negócios. Para ele, o intraempreendedor deixou de ser apenas uma tendência no mundo do business, tornando-se uma realidade sem retorno. ''Intraempreendedor é o empreendedor corporativo'', ratifica.
Para André, os empresários brasileiros precisam começar a criar um ambiente propício ao intraempreendedor. Ele compara o Brasil, que possui 4,5 milhões de empresas, com os EUA, onde existem 30 milhões. ''Por que tem tanta empresa lá (EUA)? Porque lá existe um ambiente propício para o surgimento dos empreendedores e intraempreendedores. A sociedade americana valoriza isso''.
Ele explica que no Brasil, entretanto, os filhos são educados para serem empregados. ''O pai orienta o filho a estudar bastante para arranjar um bom emprego. Se possível um serviço público''. Segundo ele, o norte-americano ensina seu filho a ser dono de seu próprio negócio. O pesquisador informa que esta tendência vem mudando no Brasil. Segundo ele, só no ano passado, foram abertos 30 cursos em São Paulo para formar intraempreendedores.
A FGV Londrina, localizada na rua Tiradentes, número 501, começa no próximo dia 24 de abril, o curso para intraempreendedores chamado de MBA em Gestão Estratégica de Empresas da ISAE/FGV. O curso, segundo André, tem cunho generalista, abordando os diversos aspectos da administração de negócios. Dos assuntos que serão abordados nas 456 horas de curso, estão o planejamento estratégico, inovação nas organizações, gestão do conhecimento, recursos humanos, administração entre outros. ''Este MBA cobre o maior número de temas e, especialmente, a interligação destes na administração empresarial'', sintetiza.

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