Intervenção não permite fatiar Parmalat
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004
Agência Folha 
São Paulo - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse ontem que a intervenção judicial decretada na Parmalat Brasil prejudicou a intenção do governo de ''fatiar'' a empresa. ''A intervenção embolou o meio de campo, pois tem como objetivo salvar a empresa, enquanto o governo quer preservar o setor produtivo'', disse ele durante reunião do Fórum Nacional dos Secretários de Agricultura.
Rodrigues voltou a defender o arrendamento com opção de venda, preferencialmente para as cooperativas, como a melhor saída para manter a atividade da cadeia produtiva de leite. ''O governo não está preocupado com a Parmalat'', acrescentou ministro.
Para promover o fatiamento, informou Rodrigues, bancos privados e oficiais poderiam financiar investimentos e capital de giro. A Parmalat SpA controladora da Parmalat Brasil rejeita a proposta de fatiar a filial brasileira entre cooperativas e trabalhadores do setor rural e da indústria de alimentação. A proposta está sendo acertada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT).
''Fatiar a empresa é desmantelar, esvaziar o valor da Parmalat Brasil. A maior força de uma empresa é sua marca e seu sistema de distribuição. E isto não pode ser fatiado'', disse ontem à noite o advogado Thomas Felsberg, representante da Parmalat Spa no Brasil.
Segundo ele, ''o esvaziamento econômico' da Parmalat Brasil também será de responsabilidade do Sumitomo, credor da Parmalat Brasil e autor da ação que resultou na intervenção da empresa, afastamento de seus diretores e nomeação de novos interventores.
O interventor da Parmalat Spa, Enrico Bondi, enviou uma carta ao Sumitomo alertando o banco que poderá processar a instituição por qualquer prejuízo causado pela equipe interventora. Por outro lado, a criação da CPI na Câmara dos Deputados foi adiada para o início de março.


