Intervenção é saída para caso Chapecó
Avicultores aumentam a pressão pela intervenção do governo do Estado no frigorífico
Paulo Pegoraro

Edson Mazzetto
PressãoAvicultores acampados na frente da Chapecó, em Cascavel, ontem: pedem reativação da indústria Avicultores do Oeste paranaense estão pedindo ao governo do Estado intervenção formal na crise do frigorífico de Cascavel do grupo catarinense Chapecó, inativo desde o final do ano passado, e que também provocou a inatividade de cerca de 580 aviários. Objetivamente, eles querem a ‘‘desapropriação da unidade’’, alegando que o banco oficial Banestado é credor de mais de R$ 6 milhões e o governo diretamente de tributos não recolhidos pela empresa, principalmente ICMS. Além disto, anunciam que pedirão diretamente indenização ao grupo.
Liderados pela Associação dos Avicultores do Oeste e Sudoeste do Paraná (Avios) e Cooperativa de Produção dos Trabalhadores Rurais do Oeste do Paraná (Cooperoeste), os produtores de frango mantêm acampamento em frente ao frigorífico desde o dia 7 de abril. Eles protestam por não haver avanços em negociações para a venda da indústria (para sua imediata reativação), o que passa pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social e outras instituições, credoras dos mais de R$ 300 milhões de dívidas do grupo Chapecó, acumuladas nos últimos três anos.
Persistência José Lino Bergamin, presidente da Avios e da Cooperoeste, relata que houve ‘‘contatos quase diários’’ nos últimos meses com a direção do BNDES ‘‘e outras frentes’’, a agência de Cascavel do Banco do Brasil (também credor) foi ocupada durante dois dias e um grupo de avicultores se mantém há 38 dias em barracas na frente da indústria, para pressionar. O grupo Macri, da Argentina, chegou a apresentar proposta para comprar as unidades da Chapecó - em Santa Catarina e São Paulo, além de Cascavel - ‘‘mas até aqui nada aconteceu, e fomos apenas enrolados em conversas’’.
Para justificar o pedindo de intervenção do Estado e de seu banco, os avicultores frisam que além dos prejuízos acumulados pelo governo e o Banestado, devem ser somados os prejuízos que eles próprios sofrem ‘‘e os acarretados à própria economia paranaense’’, pois o frigorífico já abateu cem mil cabeças e empregou mil pessoas. Os produtores de aves acumulam dívidas bancárias, contraídas para implantar os aviários, que funcionavam no sistema de integração com a indústria. A Avios e a Cooperoeste estão instruindo advogados para propor ação coletiva indenizatória ao grupo Chapecó, por perdas e danos.

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