Intervenção bloqueia aplicações de fundações
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quarta-feira, 17 de novembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba A intervenção no Banco Santos, decretada na última sexta-feira pelo Banco Central (BC), bloqueou aplicações de recursos da Fundação Copel e Fundação Sanepar, que recolhe contribuições para formação do fundo previdenciário dos funcionários dessas empresas. A notícia repercutiu nos meios financeiros e políticos. Na Assembléia Legislativa, os deputados da oposição apresentaram requerimento pedindo informações sobre as aplicações das empresas do governo no Banco Santos.
A aplicação dos recursos dos funcionários da Copel, no Banco Santos, foi motivo de denúncia feita pelo Banco Itaú, mais tarde investigada pela empresa de consultoria Kroll. A informação que consta no relatório da Kroll é que a diretoria da fundação Copel autorizou a transferência de R$ 300 milhões em aplicações do Itaú para os bancos Santos e Panamericano, arcando com os custos da CPMF, que custaram cerca de R$ 1,2 milhão aos cofres da entidade.
Na época, o Conselho Deliberativo da fundação ficou preocupada com a transferência de recursos de um banco sólido e lucrativo como o Itaú para bancos pequenos. O banco Santos tem apenas 700 correntistas, a maioria fundos de pensão.
A Fundação Sanepar, que administra o fundo de pensão dos funcionários da Sanepar, tem R$ 58 milhões aplicados na gestora de recursos Santos Assep Management, empresa que pertence ao banco Santos. A ressalva feita pela fundação Sanepar é que os papéis estão custeados no banco Itaú, para garantia de liquidez.
Apesar disso, os recursos estão indisponíveis pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que ontem determinou a suspensão com esse tipo de operação no banco Santos por 15 dias. Nesse período a entidade fiscalizadora vai avaliar as aplicações e, se não houver problemas, como alega a Fundação Sanepar, a CVM poderá autorizar a troca de gestor dos fundos.
Na Assembléia Legislativa, os deputados querem saber do governo do Estado e do presidente da Copel quais as aplicações financeiras feitas pela empresa e sua fundação desde 2003. Fontes do governo confirmaram informações veiculadas pela Folha de São Paulo, de que o governador Roberto Requião havia determinado a retirada dos recursos dos órgãos do governo, há cerca de 15 dias. A preocupação de Requião foi motivada por boatos que circulavam nos meios financeiros.
O relatório da Kroll sobre a fundação Copel foi parar no Ministério Público Federal, que acionou a Polícia Federal, cuja investigação segue em caráter sigiloso.
Na Fundação Copel, a diretoria passou a tarde reunida e não atendeu a imprensa. A fundação informou, por meio da secretária, que vai divulgar uma nota oficial em satisfação aos funcionários da Copel ainda hoje.


