Tim Jackson
Especial para o ‘Financial Times’
A internet só é boa para os ricos e talentosos. Um novo livro ataca a rede mundial por beneficiar apenas uma elite relativamente pequena, mas muitos de seus argumentos já estão datados. Será que a Internet mudará o mundo para melhor ou para pior? Essa é uma das perguntas apresentadas por ‘‘In Praise of Hard Industries’’, livro de Eamonn Fingleton, recentemente publicado pela Orion Press.
De acordo com Fingleton, ‘‘a indústria tradicional, e não a nova economia, é que é crucial para a prosperidade futura’’. Ele coloca a Internet no balaio da nova economia, adicionando o software, a mídia e todo o setor financeiro. O livro de Fingleton contém uma mistura estranha de opiniões. Um capítulo sobre a Internet impressiona com as conclusões enfáticas: a de que a videoconferência será ‘‘um dos mais importantes e positivos desenvolvimentos da atual revolução nas telecomunicações’’ e a de que o e-mail ‘‘será tão importante para a história quanto a imprensa’’.
No entanto, Fingleton alega que a Internet e a nova economia promovem uma mistura ‘‘ruim de empregos’’, porque criam vagas de trabalho para as pessoas inteligentes e articuladas, mas deixam as demais desempregadas. Ele acredita que a nova economia também conduz a um crescimento de renda mais lento do que aquele que seria gerado com a indústria tradicional.
Um dos problemas desse tipo de argumento é o fato de que ele já está datado.
A maior de todas as mudanças dessa nova tecnologia será o fato de que a Internet estará criando um mercado mundial unificado de produtos e serviços. É fácil ver os obstáculos, quer se tratem de tarifas alfandegárias sobre os livros vendidos pela Amazon.com ou de regulamentos que impedem que corretoras de valores on line ofereçam seus serviços a todos os potenciais interessados. Mas muitos desses obstáculos com certeza serão removidos do caminho à base de força bruta, se preciso, o que criará imensas oportunidades tanto para empresas quanto para indivíduos. Fingleton está certo, no entanto, de que a maneira pela qual os benefícios da Internet serão distribuídos é uma questão crucial.
Tim Jackson é diretor-executivo da Carlyle Internet Partners Europe, um fundo de capital para empreendimentos.

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