Internet interfere na redução do consumo de CDs piratas
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segunda-feira, 07 de janeiro de 2013
Fábio Galiotto <br>Reportagem Local 
Os produtos piratas entraram na cesta de compras de 52% da população em 2011, mas o número caiu para 38% no ano passado, com a diferença de que a compra de CDs falsificados sofreu a maior queda. O motivo para a compra de produtos do tipo ainda continua a ser o preço mais em conta, de acordo com 97% dos entrevistados. O diferencial na pesquisa, feita desde 2006 pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), é o acesso à web.
Para 59% dos que opinaram, o download em casa dos mesmos DVDs e CDs que são vendidos pelos camelôs é uma prática dentro da lei. Outros 22% veem o download de filmes e músicas como um crime e 19% não souberam informar. A mudança de comportamento de consumo entre os dois anos seria explicada ainda pela queda no número de pessoas que compraram CDs piratas, de 81% em 2011 para 76% em 2012, segundo a Fecomércio-RJ. Pela primeira vez desde que a entidade criou a pesquisa com o apoio do instituto Ipsos, o produto perdeu a liderança para o DVD, que passou de 76% de consumidores para 77%.
Entre os vendedores de CDs e DVDs piratas de Londrina, a opinião é dividida. Uma comerciante afirmou que não sentiu diferença nas vendas, enquanto outra considerou que o maior acesso a computadores e internet no País prejudicou os negócios. ''Hoje em dia a pessoa compra um computador e já sabe que vai ter gravador de CD e DVD, que em um pendrive cabem uns seis filmes, então ela baixa muita coisa em casa'', diz uma vendedora. Ambas não quiseram se identificar.
Imposto alto
O economista da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Renato Pianowski, afirmou que até concorda com a possibilidade de queda nas vendas de CDs e DVDs piratas pelo acesso facilitado à internet, mas rejeita a queda no número de consumidores de réplicas ou falsificações. ''Olhemos com critério, porque o que vemos na rua não é isso. O produto pirata vende bem porque o original é muito caro.''
Conforme a pesquisa, os preços mais em conta dos produtos piratas ainda são a principal isca para atrair 97% dos consumidores. Outros motivos apontados são a facilidade em encontrá-los (10%), a disponibilidade anterior à do original (10%) e porque podem ser usados como descartáveis (4%).
Pianowski diz que o aumento de renda e emprego pode não ser suficiente para fazer uma pessoa deixar de consumir o produto pirata. Ele cita o exemplo da boa aceitação de peças de vestuário ou de materiais de construção asiáticos, que não são necessariamente falsificados. ''Estamos inundados de produtos chineses. As pessoas procuram os produtos porque são baratos.''
Segundo o economista, apenas uma redução nos impostos dos produtos mudaria o hábito de consumo. Ele acredita que se o governo federal realmente quer ver uma indústria competitiva no País, tem de reduzir o valor dos tributos para criar emprego e renda de forma sustentável. ''A culpa não é da locadora, da loja de CDs, ou do fabricante. A culpa é do governo que não reduz os impostos sobre os produtos'', diz.
A opinião é compartilhada por 51% dos consumidores, que acreditam que a redução dos impostos sobre produtos legalizados diminuiria o consumo de piratas. A pesquisa foi feita com mil entrevistados em 70 cidades do País, entre as quais nove regiões metropolitanas.



