Curitiba - A internet só mobiliza as pessoas a partir de situações concretas. A opinição é do coordenador do Congresso Internacional de Blogueiros, que vai acontecer em Foz do Iguaçu na próxima semana, Altamiro Borges.
''Na Europa a situação é muito trágica. A situação brasileira é diferente da Europa ou dos Estados Unidos. A internet é apenas um fator catalizador'', destacou. Ele acredita que no Brasil não ocorrem mobilizações maiores porque houve diminuição do desemprego e a maior parte das categorias de trabalhadores está com aumento de salários acima da inflação.
Para ele, no momento, as redes sociais são mais usadas como debate de ideias e mobilizadoras em alguns temas. O congresso de blogueiros deve ter cerca de 500 participantes de 30 países.
O estudante de História da UFPR, André Felipe Wielgosz Leite, 22 anos, disse que muitas pessoas têm oferecido apenas apoio virtual para as mobilizações, outros vão apenas na ''farra'' só para ''ser do contra''. Principalmente nas questões políticas, as pessoas não procuram saber os motivos. ''Muitas vezes, é comodismo ou medo de dar a cara a tapa'', destacou.
O estudante de História Guilherme Saccomori, 21 anos, disse que no Brasil parece que ''as pessoas estão satisfeitas com o pouco que têm e não pensam além do próprio círculo que estão vivendo, a não ser que as afete diretamente. Não se interessam em fazer coisas pelo bem maior'', afirmou.
A mestranda na área de Filosofia, Juliana Fischer de Almeida, 27 anos, acredita que as pessoas não aderem tanto a mobilizações no Brasil até por um processo histórico. ''Muita gente pensa em não participar das mobilizações e deixar que os outros façam isso. Os cidadãos não sabem que podem ir na Assembleia Legislativa e na Câmara de Vereadores ver uma votação, por exemplo'', arrematou. (A.B.)

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