Internet cara leva usuário para lan houses
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Rosiane Correia de Freitas e Mariana Fabre<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - Duas pesquisas dos Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic) apontam que o alto custo da internet banda larga domiciliar no Brasil pode estar ligado ao sucesso das lan houses nas periferias brasileiras. Esse tipo de negócio atende a 42% da população do país que usa a internet, a maior parte gente que não tem computador (81%) ou não tem acesso a web (75%) em casa.
Segundo o analista de dados do Cetic, Juliano Cappi, há uma relação direta entre a renda e a proporção da população que acessa a internet em lan houses. ''Quanto menor a renda, mais a proporção de pessoas que usa as lan houses'', aponta. ''Realmente o preço é um dos principais fatores que as pessoas alegam para não ter acesso à rede em casa'', completa.
Os brasileiros da classe C, D e E estão entre os que mais frequentam os centros privados de acesso à internet, com índices de 49% (C) e 64% (D e E).
A Pesquisa TIC Lanhouses 2010 apresenta um panorama geral sobre as características e o perfil de gestão das lan houses. O estudo mostra que esse é um negócio predominantememte familiar (80% dos estabelecimentos). Além disso, quase a metade, 49% das lan houses pesquisadas, disseram ser um estabelecimento com algum grau de formalidade.
Outro tópico abordado no levantamento foi o fato de que 44% dos empreendimentos dividem espaço com outras atividades comerciais complementares, como assistência técnica, comércio de informática e bomboniere. Mesmo assim, 64% disseram que a lan house é a principal atividade.
A X Cyber Café, em Londrina, é um empreendimento formalizado que realiza os serviços de lan house, assistência técnica, comércio de eletrônicos e lanchonete, que se enquadra nesse perfil. Segundo o proprietário, Alexandre de Souza Silva, o trabalho é realizado por ele, sua esposa, cunhada e tia. ''Nós nos revezamos no serviço e, quando preciso de mais uma pessoa, chamo minha irmã'', comenta. Alexandre conta que o negócio principal do estabelecimento é a lan house, pois é o que propicia o ganho financeiro diário.
A lan house de Alexandre funciona há cinco anos e possui uma rede com 20 computadores. O fluxo diário chega a ser de 500 clientes, interessados em redes sociais, jogos on-line e impressão de documentos. ''Os que permanecem mais tempo são os jovens, que ficam nos jogos on-line em média de três a cinco horas por dia'', relata. Alexandre ressalta a importância do trabalho de inclusão digital realizado pelas lan houses. ''As lan houses ensinam muitas pessoas a acessar internet e lidar com a informática. Aqui nós criamos contas de e-mail e instruimos os clientes a usar programas de bate-papo online e imprimir boletos'', revela.
Lucratividade
Além disso, a maior parte das lan houses pesquisadas (97%) tem até três funcionários. A razão é simples, conta a empresária Lucilene Oliveira da Rocha: ''Se colocar mais gente não dá lucro'', afirma. Com oito computadores, a WR Lan House, de Lucilene, lucra de R$ 1,5 a R$ 1,8 mil por mês. ''Metade disso vem dos serviços oferecidos além do acesso'', explica.
A falta de lucratividade, explica o empresário Anderson Paul Cararo - que era arrendatário de Lucilene - também esbarra no preço. Segundo Cararo, a ideia da empresa era cobrar mais que os R$ 1,50 por hora de acesso a internet, mas a concorrência com outras lan houses da região impede o aumento de preço. O valor está abaixo da média na região, segundo a pesquisa do Cetic, que está entre R$ 1,00 e R$ 2,00 a mais alta do País.


