Intermediação encarece preço do gás de cozinha no Paraná
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quinta-feira, 08 de agosto de 2002
Vânia CasadoEquipe da Folha 
Curitiba - O excesso de intermediação está elevando o preço do gás de cozinha no Paraná. A incorporação de milhares de varejistas em todo o Estado, que vendem o gás aos consumidores, tirou das revendedoras o poder de formar preço, disse o presidente do Sindicato dos Representantes das Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), Stelios Chomatas.
Segundo ele, são os varejistas que estão ficando com as maiores margens de lucro. Enquanto as distribuidoras compram o botijão de 13 quilos por R$ 18,00 e vendem entre R$ 20,00 e R$ 22,00 a unidade, os varejistas estão vendendo o botijão a R$ 26,00. Na entrega em domicílio, as distribuidoras estão vendendo o botijão a R$ 23,00. Para o empresário, os pontos de venda no varejo têm mais poder de fogo no mercado porque estão em maior número.
Além disso, se posicionaram muito próximas ao consumidor, porque estão em pequenos mercados na periferia, em farmácias, em vendas pequenas e a maioria não adota prevenção a riscos, disse Chomatas. Segundo ele, no Paraná existem cerca de 600 revendedores de gás para 20 mil pontos de venda no varejo.
Trata-se de um setor que se expandiu nos últimos anos, desde que as distribuidoras quebraram o acordo que havia de participação de mercado. No início, esses pontos de venda se contentavam com uma margem de lucro em torno de R$ 1,50 por botijão. ''Hoje elas querem R$ 5,00 na venda de um botijão'', acusou Chomatas.
Além da margem de lucro ''excessiva'' praticada pelos varejistas, Chomatas se queixou também do excesso de tributação que incide sobre o preço do gás de cozinha. Segundo ele, a alíquota de 13% de ICMS é calculada sobre o preço máximo do gás sugerido, que é de R$ 32,00. Como o imposto já é recolhido antecipadamente pela Petrobras, as distribuidoras arcam com o ônus de pagar um imposto que não condiz com o preço de venda, disse o empresário.
A mesma defasagem já vem sendo reclamada junto aos governos estaduais por parte dos Sindicatos de Revenda de Combustíveis. A Secretaria da Fazenda do Paraná não se pronunciou sobre o assunto.
Segundo Chomatas, esse quadro já está sendo analisado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que prometeu se pronunciar nos próximos dias. As distribuidoras estão aguardando que a ANP firme convênios de fiscalização contra os pontos de venda no varejo, que inclusive ''atuam de forma clandestina'', porque não pagam periculosidade a seus funcionários e colocam os botijões em locais que potencializa o risco de uma explosão. ''Se realmente houver essa fiscalização o preço do botijão baixa para R$ 23,00'', garantiu.


