Interior trava guerra por indústrias
O desemprego já está afetando regiões tradicionalmente ricas e bem estruturadas do interior paulista. O fenômeno levou prefeituras a iniciarem uma verdadeira guerra para atrair indústrias, na tentativa de colocar a mão de obra desocupada. A região de Sorocaba que, segundo dados da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, é a quarta do Estado em volume de investimentos industriais, perdendo apenas para regiões historicamente industrializadas, como o Vale do Paraíba, Campinas e Grande São Paulo, registra índices de desemprego sem precedentes. A pequena Iperó, que chegou a importar mão de obra há uma década, hoje tem pelo menos mil trabalhadores sem emprego.
Em Sorocaba, um levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Relações do Trabalho e pelo Sindicato dos Metalúrgicos, apurou que 31,5 mil trabalhadores, que correspondem a 17% da mão de obra economicamente ativa, estão desempregados. O percentual quase empata com o da Grande São Paulo, onde a pesquisa Seade-Dieese encontrou, em março, uma taxa recorde de desemprego, de 18,1%. Os números de Sorocaba surpreenderam o secretário Alexandre Luís Carli e o levaram a encomendar pesquisa, com base em critérios científicos, que será concluída em 90 dias. A partir desses dados, vamos adotar uma política de qualificação da mão de obra, que é a principal causa das demissões na indústria, disse.
O prefeito de Sorocaba, Renato Amary (PSDB), vê na vinda de indústrias uma saída para o desemprego. Além de gerar empregos diretos, as indústrias dinamizam a economia, movimentando outros setores, como o comércio e a prestação de serviços. Estamos mostrando nosso potencial na mídia nacional e internacional, disse o prefeito, que viajou recentemente para a Coréia e a Itália com esse objetivo. A prefeitura oferece ainda isenção ou redução de tributos, com amparo em uma lei de incentivos aprovada pela Câmara.
O esforço tem dado resultados, segundo o prefeito. Em um período de três anos, Sorocaba receberá investimentos industriais de R$ 1,4 bilhão, afirmou. Serão acrescidas, em empregos diretos, 9,7 mil vagas no mercado de trabalho. Amary atribui à posição geoeconômica o surto industrial que a cidade está vivendo. Nossa localização é estratégica em relação à Capital e Grande São Paulo, e aos mercados emergentes, como o interior paulista e o Mercosul, disse. A 90 quilômetros de São Paulo e 75 de Campinas, Sorocaba é o principal pólo econômico numa região que engloba mais de cem municípios entre o Vale do Ribeira e o Sudoeste Paulista.
Com a duplicação da Rodovia Raposo Tavares, já contratada, a região ficará ligada por três auto-estradas à Grande São Paulo e Campinas. A GM do Brasil levou em conta esses fatores para situar em Sorocaba seu Centro de Distribuição de Peças para a América Latina, com investimento que chegará a R$ 150 milhões. A Case do Brasil investe R$ 100 milhões em uma nova fábrica de tratores para atender o Mercosul. Os investimentos no setor de autopeças somarão cerca de R$ 500 milhões, com destaque para a Rolamentos Schaeffler (R$ 100 milhões) e Luk Embreagens (R$ 67 milhões).
O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ubiratan Zachetti, aponta riscos da corrida industrial, como a falta de mão de obra qualificada e a migração desenfreada, com reflexos negativos na qualidade de vida. Segundo ele, a maior parte das empresas que estão investindo em Sorocaba usa mão de obra qualificada, carente na cidade. A Case, por exemplo, importou profissionais de outras regiões. O Ciesp quer mostrar que outras cidades da região também estão em condições de receber indústrias. Não queremos que trabalhadores deixem suas cidades para tentar a sorte aqui, disse. O prefeito Amary disse que a cidade está preparada para a industrialização. Não receio que Sorocaba cresça, pois estamos trabalhando para sustentar esse crescimento com uma boa infraestrutura. Ele citou que ainda este ano a cidade terá um entreposto aduaneiro e estará ligada também à Hidrovia Tietê-Paraná.





