Interior tem menos desemprego, mas maior subocupação
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quinta-feira, 07 de março de 2019
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
O Paraná é um dos 21 estados brasileiros onde o desemprego (desocupação) é menor no interior que nas regiões metropolitanas das capitais. Os dados, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (7) se referem ao quarto trimestre do ano passado e fazem parte da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). Enquanto a taxa de desocupação geral no Paraná chegava a 7,8%, no interior era de 7,2%.
De acordo com o IBGE, apenas no Acre, Roraima, Mato Grosso do Sul e Goiás o desemprego foi maior no interior. Na Bahia, a taxa foi a mesma em Salvador e no interior. A maior diferença foi no Amazonas, onde a taxa de desocupação variou de 9,1% no interior para 14,4% na média geral do Estado. A segunda maior diferença foi no Espírito Santo, onde o desemprego subiu de 8,2% no interior para 10,2% no estado, seguido por Rondônia, de 7,2% para 9% e São Paulo, de 10,8% para 12,4%.
Embora a taxa de desocupação seja menor no interior, a pesquisa mostra que parte das pessoas consideradas empregadas estão subocupadas por insuficiência de horas, ou seja, trabalham até 40 horas por semana, mas gostariam de trabalhar mais. Em 19 unidades da federação, a taxa de subocupação no interior foi maior que no estado. No Paraná, enquanto a subocupação geral é de 4,9%, quando considerado só o interior, ela sobe para 5,2%.
O economista Cid Cordeiro, de Curitiba, diz que o levantamento feito nos dados da PNAD não é exatamente uma boa notícia para o interior. "A desocupação diminui porque a subocupação aumenta. No interior você tem mais presença da informalidade, que é uma característica da subocupação. Isso por conta de uma fiscalização menor e também pela presença da agricultura. Há muita informalidade no trabalho rural."
Cordeiro ressalta que subocupadas são aquelas pessoas que têm ocupações temporárias ou de carga horária parcial. Ele vê um aspecto positivo no levantamento. "Estão surgindo oportunidades de trabalho, ainda que de qualidade menor. Nós estamos saindo de uma crise de forma muito lenta. Se estivéssemos num ritmo de crescimento mais elevado, essas ocupações poderiam ganhar mais qualidade", afirma. "O patamar de crescimento que estamos vivendo (o PIB cresceu 1,1% no ano passado) não traz melhora na qualidade do trabalho", ressalta.
Por meio da Agência de Notícias do IBGE, o coordenador de Trabalho e Rendimento do instituto, Cimar Azeredo, destaca a importância dos indicadores de subutilização e subocupação de mão de obra, propostas pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), em 2013, e utilizadas na PNAD Contínua desde 2016. Segundo ele, a avaliação do mercado de trabalho apenas pela taxa de desocupação pode gerar distorções. "Se não tivéssemos hoje as medidas completas de subutilização da força de trabalho propostas pela OIT e utilizássemos apenas a taxa de desocupação, ia parecer que o interior tem uma situação mais favorável que a das regiões metropolitanas e capitais", explica Azeredo.
Cimar considerada que a análise do mercado de trabalho no interior é importante porque o contingente de população com mais de 14 anos é maior no interior de 22 estados, superando 70% em nove unidades da federação. Por exemplo, o contingente de pessoas nessa faixa que mora fora das regiões metropolitanas chegava a 85% em Santa Catarina, 81,5% no Tocantins e 77,9% no Maranhão.
A situação de desigualdade entre o interior do País e as regiões metropolitanas, segundo o coordenador, leva à necessidade de se criar políticas públicas diferenciadas que possam melhorar a qualidade do mercado de trabalho e da renda no interior.



