Interior oferta mais empregos que a Capital
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A oferta de novas vagas de trabalho, nos 11 primeiros meses deste ano, foi mais forte no interior do Paraná do que na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O crescimento - de 9,32% ante um índice de 6,69% na RMC - foi puxado pela agropecuária que, neste ano, aliou a boa produção aos bons preços das commodities. No total, o saldo de empregos no Paraná cresceu 8,26% no período, com a abertura de 153.579 novas vagas. O saldo é a diferença entre o número de admissões e os desligamentos.
No interior, o saldo foi de 103.482 empregos, o que representa 67,4% do total de postos de trabalho gerado no Estado. Na RMC foram gerados 50.097 vagas, o equivalente a 32,6% do total. Segundo o economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os números deste ano representam, por enquanto, o segundo melhor resultado na geração de empregos no Paraná desde 1992. O melhor desempenho, até agora, havia sido registrado em 2004, quando foram criados 153.965 postos de trabalho.
A partir do resultado obtido em novembro, o número estimado de trabalhadores com carteira assinada no Paraná é de aproximadamente 2 milhões. Para o economista, o ''desempenho favorável'' em 2007 já era esperado. ''Havia uma tendência de aceleração do número de emprego. Em 2005, o aumento dos juros e a política econômica do Banco Central gerou uma queda no número de empregos. Depois houve uma recuperação com consequências para 2007, a partir de uma taxa de inflação que se manteve equilibrada, juros baixos, aumento do volume de crédito e de financiamento. Categorias também conseguiram aumentos reais (acima da inflação) nos vencimentos'', afirmou o economista.
Em comparação aos demais Estados brasileiros, o saldo de empregos do Paraná está entre os 5 melhores do País no acumulado dos últimos 12 meses (de dezembro de 2006 a novembro de 2007), com uma variação de 6,96%. O Paraná ficou atrás apenas de Tocantins, Mato Grosso, Amazonas e São Paulo. A variação média do Brasil é de 5,81%. Para Silva, ''o bom desempenho nacional'' do Paraná está ligado também à recuperação da área da agricultura, após dois anos de crise. ''É o diferencial do Paraná em relação ao Brasil'', disse.
Para 2008 a projeção do Dieese é que os números de crescimento do emprego sejam mantidos no Estado. ''Talvez haja uma pequena desaceleração. Os números de 2007 são positivos também porque cresceram com base em índices ruins. Se 2007 superar 2004 será difícil crescer com o mesmo desempenho em 2008'', avaliou. Ele lembra que o saldo positivo em 2004 ocorreu principalmente por causa da exportação de produtos, enquanto neste ano o mercado interno é o destaque.
Capital - Enquanto o interior superou a RMC na geração de novas vagas no acumulado do ano, a situação é invertida se for tomado como base apenas o mês de novembro. Neste caso, a variação da RMC foi de 0,62% e a do interior, 0,33%. No Paraná o índice foi de 0,45%. O economista do Dieese lembra que em outubro este fato já havia ocorrido. O fim do ano, explica ele, significa entressafra da agricultura e contratação na RMC, em especial no comércio devido às festas do período.
Entre os principais setores responsáveis pelo crescimento do emprego no Paraná, no último mês, está o comércio varejista, o de ''outros serviços'' (recursos humanos, segurança, limpeza) e o de hotéis e restaurantes. Em novembro também houve queda (saldo negativo) principalmente nos setores de transporte e comunicação, agricultura e construção civil.


