Interior lidera recuperação do emprego no Paraná
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sexta-feira, 07 de março de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba Os municípios interioranos lideraram a recuperação do nível de emprego no Paraná em 2002, com um crescimento de 4,17% no nível de emprego do Estado. No Interior, o índice de crescimento do emprego foi de 5,60% e na Região Metropolitana de Curitiba, que concentra grandes indústrias beneficiadas por incentivos fiscais do governo do Estado no ano passado, o índice de crescimento do emprego foi de apenas 2,21%.
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), órgão autor do estudo, apesar desse crescimento que marca uma recuperação do nível de emprego, o índice de desemprego ainda permanece alto. No Paraná, o índice é de 7,67%, que corresponde a 392.411 pessoas desempregadas. Na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), o índice sobe para 9,43% de acordo com 138.086 pessoas desempregadas. O levantamento demonstra que o desemprego afeta mais a população das grandes cidades.
Conforme levantamento feito pela Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de desempregados aumentou 48% no Paraná e 91% na RMC, nos últimos seis anos. Portanto, a recuperação do emprego verificada no ano passado não está sendo suficiente para absorver o contingente de pessoas que entram todos os anos no mercado de trabalho e também para absorver as pessoas que estão desempregadas.
De acordo com o economista Cid Cordeiro, do Dieese, o que está dando fôlego para as indústrias contratarem são as exportações. Para o técnico, este ano de 2003 não será diferente do que foi o ano passado. Os primeiros dois meses já evidenciaram que a renda da população está em queda mais acentuada, com a inflação em ascensão, e o crédito está mais caro. Com isso, as possibilidades de crescimento da indústria e a geração de emprego ficam comprometidas.
No ano passado, as regiões que mais geraram empregos no Estado foram a Centro-Sul, Sudoeste e Norte Central. O levantamento mostra que o emprego está crescendo mais nas cidades de pequeno e médio porte, onde se localizam as indústrias de alimentação, têxtil, madeira e mobiliário. Esses segmentos industriais vêm sendo beneficiados pelas exportações que estão sendo estimuladas pela valorização do câmbio e por isso estão contratando mais, justificou Cordeiro.
Já nos municípios cujas indústrias estão com a produção destinada ao mercado interno, o desempenho não está satisfatório em função da queda de renda da população. A demanda por produtos no mercado interno está em queda pelo quinto ano consecutivo e as indústrias não conseguem aumentar a produção.
A região Centro-Sul, que abrange os municípios de Palmas, Guarapuava e Pitanga teve crescimento de 9,40% no índice de emprego, que corresponde à criação de 4.063 vagas. A região Sudoeste, que abrange os municípios de Pato Branco, Capanema e Francisco Beltrão, tiveram crescimento de 8,96% no nível de emprego, com a criação de 4.013 vagas. A região Norte Central, representada pelos municípios de Londrina, Maringá e Apucarana teve crescimento de 6,06% no nível de emprego, que corresponde a criação de 16.800 vagas. Os piores resultados foram verificados nas regiões Central, que envolve os municípios de Campo Mourão e Goioerê, o Norte Pioneiro e a Região Metropolitana de Curitiba.
Entre os municípios que mais geraram empregos no ano passado estão Piraquara, Cambé, Cianorte, Cascavel, Guarapuava, Telêmaco Borba, Pato Branco, Irati, Toledo e Arapongas. Entre os municípios com baixos índices de geração de emprego, estão Foz do Iguaçu, Umuarama, Curitiba, Campo Largo, Pinhais, Ponta Grossa, São José dos Pinhais, Araucária, Almirante Tamandaré e Campo Mourão.


