Rio de Janeiro - O setor industrial emprega mais trabalhadores nas cidades pequenas do que nas regiões metropolitanas do País, segundo revela estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O interior, que em 1997 respondia por 46,8% do emprego industrial em relação ao total dos Estados, elevou sua participação para 50,7% neste ano. Ainda de acordo com o estudo, dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que, no período de 1992 a 2002, o emprego industrial cresceu 8,9% na média do País, puxado pelo interior, onde o aumento foi de 18,2%.

Ainda que o estudo tenha sido realizado por uma entidade industrial, mostra que o crescimento do emprego no interior não é exclusivo da indústria. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (Caged), relativos ao mercado formal, mostram que enquanto o emprego (em todos os setores) nas capitais cresceu 2,4% no primeiro trimestre deste ano ante igual período de 2003, no interior esse crescimento foi bem superior e atingiu 4,1%.

Os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que nas seis principais regiões metropolitanas - universo investigado na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE - o emprego industrial apresentou uma queda acumulada de 5,3% no período.

Segundo o levantamento da CNI baseado nos dados do Caged, enquanto em 1998 a participação do interior nos novos postos de emprego formal era de 59%, em 2004 esse porcentual chegou a 69%. ''Geração de empregos é uma notícia positiva independente de onde sejam gerados. O trabalhador que quiser se empregar não deve criar raízes, deve ampliar as possibilidades e se deslocar no espaço'', disse o economista da CNI responsável pelo estudo, Paulo Mol.

Segundo ele, a migração do emprego para o interior está ocorrendo por causa de indústrias voltadas à exportação, inclusive ligadas à agropecuária, que movimentam grandes recursos financeiros e atraem investimentos para as regiões. Outro motivo apontado por ele é que os custos no interior são menores, seja com o aluguel, seja com a mão-de-obra, por exemplo.

Outros dados mostram o crescimento do emprego industrial com muito mais força no interior, segundo a CNI: enquanto o número de trabalhadores na indústria cresceu 1,2% nas seis principais regiões metropolitanas do País (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife) no primeiro trimestre deste ano ante igual período do ano passado, no interior o aumento da ocupação industrial foi de 4,4% no período.

Diante dessa realidade, o estudo adverte que ''os indicadores de emprego que têm abrangência metropolitana, como é o caso da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, podem não retratar a realidade do emprego no País, mas tão somente a das regiões metropolitanas em que a pesquisa é realizada''. O ministro do Planejamento, Guido Mantega, já anunciou que o IBGE vai reformular a pesquisa e, já em 2006, a investigação abrangerá também o interior do Brasil.

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