O presidente Fernando Henrique Cardoso reafirmou ontem que o governo não vai interferir nas negociações sobre a redução de salários e da jornada de trabalho de operários das indústrias automobilística e de autopeças. Segundo ele, o País vive uma nova época na qual não há ‘‘populismo, nem participação política,’’ nas negociações. ‘‘Os sindicatos sempre lutaram por negociação livre, e é o que estão fazendo agora.’’ Fernando Henrique disse que seria um ‘‘retrocesso’’ pedir agora que o governo entre nesta negociação.
‘‘Acho que esta é uma questão que tem de ser resolvida entre trabalhadores e patrões’’, afirmou. ‘‘Os trabalhadores têm seus sindicatos, suas centrais, e não cabe ao governo, nem ao presidente, estar nessa intermediação.’’ Segundo Fernando Henrique, os problemas dos setores automobilístico e de autopeças devem-se não só à situação geral pela qual passa o País, mas a ‘‘problemas específicos’’.
‘‘Acho positivo que eles (patrões e empregados) entrem em negociação, mas não sou nem trabalhador nem dono de empresa e não sei nas condições específicas o que é melhor’’. Fernando Henrique lembrou ter pedido aos empresários para evitar demissões. ‘‘Fiz um apelo às montadoras para que não demitam porque temos preocupação com a questão do emprego’’.

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