Intenção de investimentos das micro e pequenas empresas sobe em junho
Maior parte dos recursos seria para aumentar as vendas, atender a demanda e adquirir novas tecnologias
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sexta-feira, 12 de julho de 2019
Maior parte dos recursos seria para aumentar as vendas, atender a demanda e adquirir novas tecnologias
Aline Machado Parodi - Grupo Folha 
A fatia de micro e pequenos empresários que pretendem investir nos próximos três meses cresceu de 36,9% em maio para 37,3% em junho, de acordo com o Indicador de Demanda por Investimento do micro e pequeno empresário calculado pelo SPC Brasil e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas).
A maior parte dos investimentos tem como finalidade aumentar as vendas (58%), além da adaptação da empresa a uma nova tecnologia (30%) e da necessidade de atender a uma demanda que aumentou (25%). A maioria dos aportes seria usada na compra de máquinas e equipamentos (30%), seguido por ampliação de estoques (22%) e por reforma da empresa (19%).
De acordo com o consultor do Sebrae, Tiago Correia da Cunha, essa intenção é reflexo de vários fatores como, por exemplo, o cenário político, com o andamento da reforma da Previdência, o fomento de novas oportunidades de melhoria nas questões de vendas, o incentivo em inovação, a abertura de novos mercados e a participação das micros e pequenas empresas em compras públicas.
“Os micro e pequenos empresários têm procurado se capacitar para melhorar a gestão. Isso colabora para que eles acessem novos mercados e possam aumentar o seu capital intelectual e estrutura para atuar no mercado”, comentou Cunha.
O percentual que pretende investir ficou muito próximo dos que não pretendem investir (de 37,2% ante 40,8% em maio). Já os reticentes passaram de 22,3% para 25,4% no período.
Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o ambiente de incerteza que ainda paira faz com que os projetos de expansão e melhoria do negócio sejam colocados em segundo plano e a preocupação de grande parte dos empresários passa a ser lidar com a queda do faturamento e o aumento da inadimplência.
"A lenta recuperação da crise leva muitas empresas a operarem com capacidade ociosa e, em alguns casos, até a redução do quadro de funcionários. Em meio a esse ambiente, os investimentos são adiados", explica Pellizzaro Junior.
CRÉDITO
Em relação à demanda por crédito, aqueles que não pretendem tomar crédito nos próximos três meses seguem sendo maioria (64,7%), ainda que esse porcentual seja menor que o de maio (68,5%). A fatia de empresários que planejam contratar crédito caiu de 14,2% para 11,5%, enquanto a parcela daqueles que não sabem subiu de 17,3% para 23,7%.
Segundo o presidente da CNDL, José Cesar da Costa, mesmo com uma sutil melhora das condições econômicas do País, a demanda por crédito está distante de um nível ideal para induzir o crescimento econômico.
A maioria dos que não pretendem contratar crédito diz não ver necessidade (42%) ou então alega ser possível manter a empresa com recursos próprios (40%). Em seguida, aparecem os empresários que justificam devido às altas taxas de juros (25%) e o receio de não ter condições de pagar as prestações no futuro (11%).
Cunha afirma que o percentual de empresas que pretendem investir com recursos próprio mostra que os micros e pequenos estão organizando melhor a empresa. Ele também cita que, devido a crise, muitos seguraram os investimentos nos últimos anos e guardaram o recurso. “Agora eles estão vendo a oportunidade de investir”, ressaltou o consultor do Sebrae.
FORA DA CURVA
Em Londrina, a captação de crédito por meio da Fomento Paraná e da SGC Garantinorte (Sociedade Garantidora de Crédito), apresentou alta no primeiro semestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo informações da Acil (Associação Comercial e Industrial). A Fomento registrou alta de 18% e a Garantinorte 64%.
“Percebe-se crescimento neste primeiro semestre, mas há muito conservadorismo do empresário no comprometimento de dívida na tomada de crédito e investimentos relacionado a questão política econômica”, afirmou Rodrigo Geara, superintendente da Acil.
O superintendente avalia que há uma confiança do empresariado para o próximo ano. “Estamos descolados da curva da média nacional (intenção de tomar crédito), mas ainda tem uma boa dose de conservadorismo. A medida que as decisões políticas começarem a surtir efeito, o empresário deve se sentir mais confortável para investir e contratar crédito”, comentou.
Os recursos contratados foram, principalmente, para capital de giro, ampliação da estrutura, compra de maquinários e contratação de pessoal.
“O cenário está se tornando favorável ao micro e pequeno. Os trabalhos que estão sendo feitos em relação ao desenvolvimento da microempresa colaboram para um cenário otimista”, afirmou Cunha. Ele frisa ainda o papel do Sebrae, que por meio de consultoria, cursos e palestras, vem oportunizando o crescimento e evolução das empresas.
EMPRESÁRIO INVESTE EM ENERGIA LIMPA

O empresário Vilson Venzi, dono de uma recuperadora de motores, instalada na zona Oeste de Londrina, contratou um financiamento pela Fomento Paraná para investir em energia limpa. Ele está instalando painéis fotovoltaicos para produção de energia para a empresa e o excedente deve abastecer o consumo da residência do empresário.
“O investimento em energia limpa era uma ideia que sempre tive. Este ano, conheci uma empresa durante a exposição (ExpoLondrina) e então decidi correr atrás de financiamento. A própria empresa me indicou a Fomento”, contou Venzi.
Ele financiou R$ 117 mil para pagamento em quatro anos e vai aplicar mais R$ 21 mil de recursos próprios. “Pelo projeto a economia com consumo de energia vai pagar a prestação do financiamento”, afirmou.
O empresário não tem planos de fazer outros investimentos este ano, pois ainda está pagando um empréstimo feito em 2012 para compra de maquinário. Mas ele afirma que continua adquirindo equipamentos de menor valor para manter a recuperadora atualizada.
Com 33 anos no mercado, Venzi afirmou que a empresa andou muito bem até 2012. Depois o mercado ficou mais complicado com a chegada da crise econômica, mas que agora está estabilizado. “Estamos com uma estabilidade bem bacana e tenho esperança de que vai melhorar. Atuo com o setor de motores da linha leve, que não é muito afetada, pois ninguém quer ficar sem carro”, comentou.


