Intenção de investimento dobra sobre 96
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segunda-feira, 04 de agosto de 1997
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaDinheiro novoIndústria automobilística é uma das que lideram intenções de investimentos para ampliações e novas unidadesAs intenções de investimentos das empresas estão mantendo, mês a mês neste ano, um ritmo de expansão praticamente constante e equivalente a quase o dobro dos registros observados em períodos semelhantes de 1996. Agosto tem de herança um estoque de intenções de investimentos que totaliza 1.194 projetos e envolve US$ 107,444 bilhões num período de sete meses. Este estoque supera em mais de 80% o número de projetos anunciados pelas empresas, através da imprensa ou fatos relevantes, entre janeiro e julho do ano passado e é quase 100% maior quando a referência é o valor financeiro dos empreendimentos.
A atualização das programações divulgadas até o final de julho também confirma a tendência de maior participação de projetos de infra-estrutura sobre o total. De janeiro a julho do ano passado, 33,74% do total do estoque de investimentos correspondiam à infra-estrutura. Em sete meses de 1997, esta fatia subiu a 42,14% do total.
Levantamento informal realizado pela jornalista Angela Bittencourt desde a posse do presidente Fernando Henrique Cardoso em janeiro de 1995 apenas reforça o interesse das empresas em aplicar recursos, sobretudo, em três alvos: ampliação de unidades já existentes ou produção, estabelecimento de condições de infra-estrutura e instalação de novas fábricas.
O aumento dos investimentos está provocando um efeito cascata sobre o faturamento da indústria que fornece equipamentos e peças para o setor de infra-estrutura. A indústria de bens de capital e a ferroviária estão com previsões bastante otimistas para 1997, depois de um longo período de queda nas encomendas.
No setor ferroviário, a estimativa da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) é de um crescimento de, no mínimo, 300% sobre os US$ 180 milhões do ano passado. O setor estava com encomendas paralisadas havia 15 anos, diz o presidente da Abifer, Mássimo Giavina Bianchi.
Em bens de capital, a estimativa é de um aumento médio de 20% no faturamento. Em 1996, a indústria de bens de capital sob encomenda faturou US$ 44 bilhões. A expectativa da Abifer não são positivas apenas para 1997. Os investimentos no setor devem somar US$ 1 bilhão ao ano pelos próximos cinco anos.
Para a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Indústria de Base (Abdib) a grande novidade é a retomada de investimentos com participação privada. Depois de uma década perdida, os investimentos voltaram e apenas entre março do ano passado e abril deste ano foram investidos US$ 10,5 bilhões, somente no setor de energia, diz.
A Abdib possui um cadastro de projetos em infra-estrutura que soma US$ 189,9 bilhões até o ano 2001. Este banco de dados revela um crescimento de 40% nas intenções de investimentos nos últimos seis meses.
Outro setor com perspectivas de crescimento na esteira dos investimentos industriais é o de plásticos. A Associação Brasileira da Indústria de Plásticos (Abiplast) estima que em cinco anos terá um faturamento de US$ 13,2 bilhões apenas na transformação de resinas de alta e baixa densidade. Hoje este segmento possui um faturamento anual de US$ 6,7 bilhões.


