Intenção de Consumo das Famílias tem leve alta
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quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), que é apurada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), ficou em 89,1 pontos no Paraná em setembro. A média nacional registrou 79,8 pontos neste mês. O indicador apresentou uma leve melhora na comparação com agosto, quando registrou 88,8 pontos.
No entanto, o indicador ainda está abaixo da pontuação ideal, que seria acima de 100. Em um ano, a ICF caiu 33,85% no Paraná. A melhora do indicador neste mês foi puxada pela percepção das famílias com renda abaixo de dez salários mínimos, que passaram de 89,3 pontos em agosto para 90,5 em setembro. Já nas famílias com maior poder aquisitivo, a ICF se manteve em queda, pontuando em 82,7 neste mês, enquanto em agosto era de 86,7 pontos.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e diretor secretário da Fecomércio, Roberto Martins, disse que a pequena alta da intenção de consumo em setembro não é motivo para comemorar. Segundo ele, a elevação de 0,3 pontos percentuais mostra que a economia continua com baixo crescimento.
Em setembro do ano passado, a intenção de consumo estava em 134,7 pontos. "Em relação ao ano passado, as coisas ficaram infinitamente mais difíceis", afirmou. Ele prevê que a intenção de consumo seja mantida em outubro. No fim do ano, deve ter melhora por conta do Natal, mas deve voltar a cair nos meses de janeiro, fevereiro e março.
Segundo ele, a intenção de consumo tem caído em função da desconfiança sobre o futuro da estabilidade política e econômica do País e da perda de poder aquisitivo da população que teve um volume menor de acordos salariais com ganho real neste ano.
O economista e coordenador do curso de Administração da Faculdade Paranaense Faccar, Márcio Massaro, também disse que o leve aumento da intenção de consumo em setembro, não é motivo para comemorar. Segundo ele, se a pesquisa apresentasse três meses de aumento na intenção de consumo, isso poderia representar um viés ou uma tendência de alta, o que não ocorreu na prática.
Segundo ele, as famílias não estão disponíveis para consumo. "O consumidor está cada vez menos suscetível a campanhas de marketing. E olha mais para a necessidade do que para o desejo de consumir. Está mais seletivo", disse. Ele acredita que a tendência é melhorar a intenção de consumo no fim do ano, mas longe de atingir os números do ano passado. "Vai ser o Natal da lembrancinha", prevê.
Massaro recomenda que as pessoas não assumam dívidas de longo prazo e que consumam dentro da restrição orçamentária atual. Outras dicas são fazer lista de compras para ir ao supermercado e realizar idas ao mercado semanais. Segundo ele, com a alta da inflação, a compra mensal no supermercado deve ser descartada.
A pesquisa da CNC mostrou ainda que 55,2% estão comprando menos do que no passado, contra 22,5% dos entrevistados que afirmam estar gastando mais. Outros 21,9% disseram que estão mantendo o mesmo nível de consumo. E o plano é comprar cada vez menos. A maioria das famílias, 80,7%, pretende reduzir os gastos, e somente 12,6% têm a intenção de consumir mais.
Para 48,1% das famílias este ainda é um bom momento para a aquisição de bens duráveis, mas esse índice era de 70% em setembro do ano passado.


