A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu 5,3% em julho deste ano em relação a junho. Quando a comparação é com julho do ano passado, o cenário piora e a queda é bem maior, alcançando 27,9%. Com a redução, o indicador de julho, em relação ao mês anterior, atingiu 86,9 pontos. Quanto mais baixa é a pontuação em relação a 100, mais pessimista é o cenário de consumo do País. As informações fazem parte de um levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado ontem.
De acordo com a pesquisa, a intenção de consumo mantém o ritmo de queda pelo sexto mês consecutivo, permanecendo abaixo dos 100 pontos.
A comparação mensal do nível de confiança das famílias com renda maior que dez salários mínimos atingiu, em julho, -6,5% (85,1 pontos), o que indica recuo superior ao registrado entre aquelas com renda inferior a dez salários mínimos, que foi 5,1% (87,4 pontos).
O levantamento, que ouviu consumidores nas capitais do País, mostra que todos os indicadores ligados ao consumo estão na zona negativa. O componente Nível de Consumo Atual, por exemplo, ficou em 67,2 pontos, em julho, com queda de 4,4% em relação a junho, e de 32,5% em relação ao mesmo período de 2014. Mais da metade das famílias (51,5%) declararam estar com o nível de consumo menor que o do passado.
"Esses números só reforçam o quadro recessivo que o Brasil está passando", disse o professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Alves Porsse. Segundo ele, com a alta da inflação, as famílias retraem o consumo e ficam com a renda real menor e, com a instabilidade econômica, as pessoas não têm segurança no emprego.
O vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR), Paulo Nauiack, disse que essa tendência de queda na intenção de consumo das famílias, assim como das vendas do comércio, vem ocorrendo ao longo dos últimos meses. Em maio, as vendas do comércio no Paraná caíram 8,17% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Para ele, o que está levando tanto à queda na intenção de consumo como nas vendas do comércio é o receio das demissões, além do aumento do endividamento das famílias e do nível de inadimplência. Ele acredita que a intenção de consumo deve continuar em queda nos próximos meses.
Porsse avalia que a pretensão de consumir não tenha melhora nos próximos seis meses, mesmo com a proximidade das festas de final de ano. Até porque as previsões do mercado apontam para alta da inflação e queda maior do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo ele, esses indicadores mostram um cenário recessivo mais forte. Com isso, ele prevê que as vendas do comércio também não devem se recuperar.
"O quadro recessivo pode entrar no próximo ano, até pela demora do governo federal em tomar medidas importantes em relação ao ajuste fiscal. Além disso, as famílias já estão com um nível de endividamento muito alto", destacou o economista. (Com agências)

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