Rio - Os consumidores ficaram mais inclinados às compras na passagem de julho para agosto. A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) aumentou 0,2% no período, para 120,8 pontos, informou ontem a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No entanto, a propensão ao consumo ainda recua 2,1% em relação ao patamar de agosto do ano passado.
"Os componentes do índice melhoraram, mas estavam no menor valor da série histórica. Então ainda estamos próximos à estaca zero", avaliou a economista Juliana Serapio, assessora da Divisão Econômica da CNC.
A CNC encara como estabilidade o ligeiro aumento registrado pelo indicador de confiança nos últimos dois meses, após uma sequência de cinco quedas consecutivas, registradas de janeiro a junho. Em agosto, melhorou a percepção sobre o mercado de trabalho, mas a intenção de compras a prazo permaneceu em declínio. Houve impacto do elevado custo do crédito e do alto nível de endividamento das famílias.
"A taxa de juros para pessoas físicas aumentou, segundo o Banco Central. A alta na taxa Selic (taxa básica de juros), que tem efeito defasado, ainda está sendo repassada ao consumidor mês a mês", apontou Juliana.
A avaliação das famílias sobre o acesso ao crédito piorou 2,8% em agosto ante julho, atingindo o menor nível da série histórica. Em relação a agosto do ano passado, houve recuo de 3,9%. Outro item impactado pelo crédito, a percepção sobre o momento para a compra de bens duráveis teve melhora em agosto ante julho (1,7%), mas ainda está 7,7% abaixo do patamar de agosto de 2013.
"São bens que custam mais, que você precisa de financiamento para comprar. O crédito mais caro para o consumidor afeta diretamente a avaliação sobre essas duas variáveis: bens duráveis e compras a prazo", explicou a economista.
Quanto à melhora na percepção sobre o mercado de trabalho, o item Emprego atual avançou 0,5% em relação a julho, porém, houve queda de 2% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já a avaliação sobre a Perspectiva profissional cresceu 0,8% ante julho, mas ainda cai 3,2% em relação a agosto de 2013. A renda atual também subiu 0,2% na comparação com o mês anterior, mas ficou estável em relação a agosto do ano passado.

mockup