No Paraná, há uma proibição à produção de limão verdadeiro devido à alta suscetibilidade dos limoeiros ao cancro cítrico, doença causada por uma bactéria que ataca os tecidos da planta
No Paraná, há uma proibição à produção de limão verdadeiro devido à alta suscetibilidade dos limoeiros ao cancro cítrico, doença causada por uma bactéria que ataca os tecidos da planta | Foto: Divulgação/Iapar

A Cooperativa Integrada prepara para 2020 o início do cultivo do limão verdadeiro, mais conhecido como siciliano, para garantir uma opção a mais de renda aos associados, ocupar a fábrica de sucos voltada hoje à laranja em períodos de ociosidade e passar a exportar o óleo essencial da fruta, muito usado nos ramos cosmético, alimentício e farmacêutico. A área plantada será de 450 a 500 hectares no Norte do Paraná, voltada para agricultores que já atuam com a citricultura e dependerá de aprovação prévia de cada projeto por parte da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), já que hoje a produção comercial é proibida no Estado.

O gerente da indústria de sucos da Integrada, Paulo Rizzo, afirma que a expectativa é que as primeiras colheitas comecem em 2023 e que, nos anos seguintes, ocupe totalmente a fábrica entre março e maio, época de entressafra para o processamento do concentrado de laranja. Para isso, serão feitos testes de cultivares mais tardias ou precoces do limão verdadeiro, com apoio técnico do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) e da cooperativa, além de monitoramento pela Adapar.

No Paraná, há uma proibição à produção de limão verdadeiro devido à alta suscetibilidade dos limoeiros ao cancro cítrico, doença causada por uma bactéria que ataca os tecidos da planta. A defesa visa evitar risco à produção de laranja, cujo consumo é grande mundialmente. “A justificativa que davam era a presença do cancro cítrico no Estado, mas hoje o Paraná mostra excelência no manejo dessa doença para a laranja e escolhemos variedades menos suscetíveis à doença”, diz Rizzo.

Por isso, a Adapar definiu condicionantes para permitir o cultivo. O principal é que somente citricultores experientes passem a produzir o limão verdadeiro – os populares taiti e galego, por exemplo, são da espécie das limas ácidas. Inicialmente, a Integrada optará por cinco variedades próprias para cada região, altitude de cultivo e época de colheita, que são a Limoneira 8A, Feminello Santa Tereza, Gênova, Lisboa e Eureca.

O coordenador de sanidade em citricultura da Adapar, José Croce, afirma que a portaria que proíbe o cultivo de algumas variedades. “Não é qualquer um que pode decidir amanhã que vai plantar limão. É preciso ter um projeto aprovado pela Adapar porque a doença é tão agressiva que não deixa um fruto no pé em algumas variedades.”

Croce diz que, por enquanto, a Integrada não formalizou o projeto. Contudo, lembra que o Paraná é referência no manejo contra o cancro cítrico por somente plantar cultivares resistentes nos atuais laranjais. “Nós influenciamos muito a legislação brasileira, por construirmos de forma correta, com grande participação das cooperativas”, explica.

Rizzo conta que a divulgação oficial foi feita em evento interno, voltado aos citricultores, no fim de maio. O próximo passo será reunir os interessados e preparar os projetos para a apresentação ao órgão de defesa sanitária. “Fizemos uma reunião em Assaí e contamos com a participação de 90% dos citricultores, então estamos cadastrando os interessados”, cita. A partir de então, a cooperativa começará a produção de mudas, que demoram oito meses para atingir o ponto ideal de plantio e três anos para começar a dar frutos.

O início do cultivo do limão verdadeiro, mais conhecido como siciliano, será em 2020
O início do cultivo do limão verdadeiro, mais conhecido como siciliano, será em 2020 | Foto: Divulgação/Iapar

Produtor de laranja e grãos em Uraí, Sussumo Itimura Neto é um dos cooperados da Integrada que se interessou e que pretende separar até 25 hectares para o limão. “O manejo é quase o mesmo que tenho com a laranja e também garante que a cooperativa use a indústria de suco”, diz.

Outra vantagem para Itimura Neto é manter os 28 funcionários que fazem a colheita em 110 hectares de laranja no ano inteiro. “Temos uma equipe aqui que é contratada como temporária, mas vai dar para ficar o ano todo se o projeto der resultado”, conta.

Iapar orientará plantio de variedades diversas

Dentre as variedades definidas no projeto de limão verdadeiro da Integrada, o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) orientará citricultores a testar variedades diferentes na propriedade, em busca de melhor produtividade e maior resistência a doenças. “Vamos testar diferentes cultivares de copa e de porta-enxerto para que o produtor tenha uma chance menor de erro”, diz o pesquisador Eduardo Firmino, do Iapar.

Para ele, a preocupação com pragas, por mais que seja importante, não é a principal. “Por mais que o manejo seja parecido com o da laranja, o pé de limão é mais vigoroso, cresce mais e gera maior necessidade de cuidado com o porta-enxerto, para que o pé fique em uma altura adequada para a colheita”, exemplifica Firmino.

O gerente da indústria de sucos da Integrada, Paulo Rizzo, afirma que a análise financeira da cultura do limão verdadeiro não está fechada, mas que ficará equivalente ou até mais lucrativa do que a de laranjas. “Nesse primeiro momento, teremos suco concentrado de limão, que tem um rendimento um pouco inferior ao da laranja, que é uma fruta de casca mais fina e que dá mais suco”, diz. “Em compensação, a casca do limão permite extrair o óleo, que é muito valorizado no mercado internacional de cosméticos, produtos alimentícios, refrigerantes e farmacêuticos.”

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