Buenos Aires - Começou ontem, em Buenos Aires, a primeira reunião entre os governos do Brasil e da Argentina para elaborar um plano que visa a integrar as cadeias produtivas de alguns setores. ''Não é uma expressão de desejo, apenas, é a decisão de construir um programa de integração produtiva'', disse o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Arcuri. Segundo ele, ''a expectativa é muito boa porque é algo em que os ministros dos dois países (Miguel Jorge, do Desenvolvimento, e Débora Giorgi, de Indústria,) se envolveram diretamente''.
Indagado sobre as reais possibilidades de integrar a produção argentina e brasileira e da diferença deste novo plano em relação aos anteriores, Arcuri disse que agora os países dispõem de maiores dados para facilitar o processo. ''A grande diferença é que estamos começando mais um esforço nesse sentido, mais lastreados em um exercício de sistematização de informações disponíveis para servir como guia de discussão, mais ancorado na realidade'', explicou.
Contudo, ele fez a advertência de que o sucesso do programa não depende apenas dos governos. ''Tem de ter envolvimento do setor privado porque é o setor privado quem toma decisões de investimento'', reconheceu. Neste sentido, Arcuri descarta que a relação comercial bilateral marcada por barreiras, brigas e desconfianças possa ser um empecilho à integração produtiva. ''Não acho que chega a haver desconfiança entre o empresariado dos dois países, mas sim problemas pontuais e, em algumas oportunidades, impasses muito profundos, como foi antes do acordo automotivo'', opinou. ''Os problemas são resolvidos com negociação. Há investimentos recíprocos sistemáticos e achamos que isso pode ser melhorado'', disse, ponderando que o processo ''vai envolver muito trabalho porque precisamos organizar informações, verificar constrangimentos legais, marcos regulatórios e conversar com setor privado''.
Nos dois dias de reunião, os técnicos vão elaborar um cronograma de trabalho e se concentrar na análise dos setores industriais passíveis de complementação entre ambos os países. O trabalho vai partir de uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que aponta, inicialmente, nove setores com maiores possibilidades de integração de suas cadeias: petróleo e gás; aeronáutica; mineração; indústria naval; equipamentos ferroviários; autopeças; software; biocombustíveis; e construção civil. A delegação brasileira é chefiada pelo secretário de Comércio Exterior do MIDC, Welber Barral, que também vai se reunir com o secretário de Indústria argentino, Eduardo Bianchi, para discutir sobre as barreiras bilaterais ao comércio. ''Vamos aproveitar a ocasião para negociar acelerações nos prazos para a concessão de licenças de importação de alguns produtos'', disse uma fonte argentina.

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