Brasília - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou ontem que o próximo plano agrícola e pecuário, conhecido como Plano Safra 2010/2011, terá linhas de crédito específicas para a integração da lavoura e da pecuária e para recuperação de áreas degradadas. ''Serão linhas de crédito específicas e reforçadas. Além disso, terão taxas de juros diferenciadas'', disse o ministro, durante a divulgação das Projeções do Agronegócio - Brasil 2009/10 a 2019/2020,
Stephanes explicou que, por razões econômicas, alguns produtores já vêm desenvolvendo a alternância da pecuária com a lavoura e com a silvicultura, mas o governo quer ampliar o volume de produtores que desenvolvem essa metodologia, que permite a máxima utilização do espaço existente para os vários tipos de atividade. ''Isso já vem sendo adotado aqui e ali por alguns produtores'', disse o ministro.
Em relação ao crédito para recuperação de áreas degradadas, Stephanes salientou que, apesar de já haver uma linha disponível para este fim aos produtores, ela vem sendo pouco acessada. ''Hoje a demanda é pequena, mas não sabemos se é por causa dos juros ou por dificuldades de acesso. Estamos estudando a situação para apresentar a linha de crédito no próximo Plano Safra'', disse.
Produção de alimentos
Segundo ele, a produção brasileira de alimentos deve manter o ritmo de crescimento médio de 4% ao ano nos próximos 10 anos. ''Nada indica que esse crescimento não vá continuar nos próximos 10 anos no mesmo nível'', considerou.
Para ele, a taxa pode ser considerada positiva, já que a perspectiva é de que a economia internacional não crescerá a taxas que chegam sequer à metade dessa projeção para a agricultura. Assim, segundo Stephanes, quem ditará a capacidade de produção brasileira será o mercado externo, ainda que esteja previsto o aumento da demanda interna.
Setenta e cinco por cento desse crescimento, segundo Stephanes, estará baseado no aumento da produtividade, enquanto os demais 25% devem ser provenientes da incorporação de novas áreas. ''Em primeiro lugar, teremos a recuperação de áreas degradadas e a utilização de áreas de pastagens'', citou.
O ministro disse também que é preciso melhorar o manejo da pecuária. ''A pecuária caminha cada vez mais para uma produção intensiva ou semi intensiva. Em consequência disso, haverá liberação de grande quantidade de terras'', salientou. Ele acrescentou que espera crescimento das áreas utilizadas para a produção agrícola na região do Matopiba (área formada por parte dos Estados de Mato Grosso, Tocantins, Piauí e Bahia).

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