A integração entre lavoura e pecuária leiteira ou de corte pode trazer um incremento de 50% de renda para as produtores rurais. A técnica pode ser usada em pequenas, médias e grandes propriedades e reduz os riscos da atividade. Desta forma, o gado tem comida o ano todo e a produtividade agrícola aumenta devido à rotação de culturas. O assunto foi abordado ontem em seminário de pecuária de corte durante o 2º Rural Tecnoshow.
O pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Sergio José Alves, iniciou estudos sobre a técnica há dez anos ao desenvolver sua tese de doutorado. Segundo ele, a propriedade deve ser dividida em partes iguais (quatro quintos) e em duas metades deve ser plantada soja e, na outra, pastagens de inverno como aveia, azevem e braquiária. Em outra parte (um quinto) ficaria pastagens de verão adubada como braquiária e estrela. Ainda é recomendável deixar uma pequena parte de cana-de-açúcar.
Alves comenta que ao invés da soja pode ser cultivado feijão, milho ou algodão. No entanto, a oleaginosa é a mais indicada porque fixa nitrogênio no solo e a cultura apresenta mais facilidade no controle de plantas daninhas. Em pequenas propriedades, o gado leiteiro é o mais indicado porque utiliza mão-de-obra familiar. Já o zootecnista Geraldo Moreli, da Emater de Arapongas, abordou as estratégias utilizadas para fechar o ciclo de criação pecuária para que os animais não percam peso no inverno.
As técnicas modernizam a pecuária e garantem ao produtor um animal mais precoce, com carne de mais qualidade e com maior preço de mercado. Conforme estimativas, cerca de 70% dos pecuaristas paranaenses ainda utilizam a pecuária tradicional, enquanto apenas 30% já modernizou a propriedade. ''Os pecuaristas querem ganhar economizando, enquanto os agricultores são mais arrojados e investem mais em tecnologia'', comentou Moreli.
O zootecnista acrescenta que durante o inverno as pastagens perdem muita qualidade, devido à queda de temperatura e à ausência de chuvas. Neste caso, as vacas devem receber alimentação suplementar com sal proteinado ou cana-de-açúcar corrigida com uréia e outra fonte de enxofre. Já os bezerros devem receber cana-de-açúcar corrigida com menos concentrados ou sal proteinado. ''Os bezerros devem ganhar, pelo menos, 300 gramas por dia no inverno. Alimentação deficiente pode fazer com que o seu crescimento pare e isso vai influenciar depois'', argumentou.
Os produtores rurais também devem investir na adubação de pastagens durante o verão. Desta forma, pode ser introduzido entre três e quatro unidades animais por hectare, enquanto a média utilizada hoje é de 1,5 unidade animal por hectare. ''O pecuarista tem que entender que se não modernizar, ele está corroendo o seu patrimônio, não há saída. O que falta é atitude de mudança, ele tem que acreditar no potencial da atividade'', salientou.

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