Integração é aposta para garantir alimento no mundo


Aline Machado ParodiReportagem Local
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Alan Bojanic e Luiz Lourenço na 7ª edição do Desafio 2050
Alan Bojanic e Luiz Lourenço na 7ª edição do Desafio 2050 | Aline Machado Parodi



São Paulo - A integração lavoura-pecuária-floresta é apontada como umas das alternativas para se resolver uma equação complicada: alimentar uma população que cresce em velocidade maior do que a área plantada. O assunto foi debatido nesta quinta-feira, 31, em São Paulo, durante a 7ª edição do Desafio 2050, promovido pela Abag (Associação Brasileira de Agronegócio), Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), Embrapa e FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).
As projeções indicam que em 2050 o mundo terá 9,8 bilhões de pessoas, 70% das quais em área urbana. Esse aumento deverá ser puxado pela China e Índia, que além do crescimento populacional também terão expansão do poder de consumo. Com esse cenário, a FAO estima que a produção mundial de alimentos precisará de um incremento de 70%.
A estimativa para o biênio 2016/17 será de uma produção de 2,6 milhões de toneladas de cereais. O Brasil, com 10% da produção mundial, tem um papel importante. E deve ultrapassar em pouco tempo os Estados Unidos em exportação de grãos.
O representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, afirmou que o País tem 60 milhões de hectares de áreas degradadas que podem ser usados para a produção agrícola. Poderá com isso atingir a estimativa de ampliar a produção de grãos em 50 milhões de toneladas em 2027, atendendo a agenda dos 17 ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU.
Na região Norte e noroeste do Paraná, o sistema integrado de produção (pecuária-lavoura) se mostra uma solução para o aumento de produção de grãos e recuperação de pastagens. O presidente da Cooperativa Cocamar apresentou iniciativas realizadas no Estado, em que o faturamento cresceu sete vezes em dois anos. A estimativa é que o Paraná tenha em torno de 3,2 milhões de hectares de área de arenito caiuá produzindo com baixo faturamento. "São áreas com faturamento médio de R$ 300 a arroba por hectare/ano e lotação de 0,75 cabeça por hectare. É uma produtividade muito baixa com pastagens degradadas, mas que podem ser recuperadas com sistema integrado", disse Lourenço.
Em torno de 1,2 milhões de hectares estariam degradados no Estado. Segundo ele, o pecuarista ainda resiste em adotar o sistema integrado, principalmente pela sua "cultura extrativista e por estar desconectado das tecnologias".
A reforma do solo passa pelo cultivo de soja na primavera/verão e atividade pecuária no outono/inverno, com o capim braquiária, que além de alimento para o gado, tem a função de recuperação física e química do solo. "Quem usou o grão para reforma da pastagem teve resultado no 1º e 2º anos", afirmou Lourenço. A introdução da soja nas áreas degradadas poderia representar um incremento de 10% na produção paranaense, segundo o presidente da Cocamar.
Hoje, o Paraná já tem 400 mil hectares integrados, que ajudaram a elevar a produtividade da carne de três ou quatro arrobas por hectare/ano para 25 arrobas por hectare/ano.

(*) A repórter viajou a convite da Andef.

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