O aumento de até 120% nos preços de insumos agrícolas entre 2007/08 pode comprometer a próxima safra agrícola do País, que vai de julho de 2008 a junho de 2009. Este aumento no preço dos insumos pode levar o setor a produzir com menos fetilizantes e agrotóxicos e, com isso, reduzir a produção. Com safra menor, a expectativa é que os custos dos alimentos disparem nas gôndolas dos supermercados.
Os preços nos insumos chegaram a majorar entre 53% e 120% do ano passado para cá, segundo levantamento feito pela Federação da Agricultura do Estado Paraná (Faep). Este aumento nos preços, se deve ao aumento da demanda por alimentos no mundo. Como produzir mais significa utilizar mais insunos para o plantio, a indústria estrangeira do agrotóxico e do fertilante estaria, em parte, se aproveitando da situação, aumentando os preços. Há suspeitas de lideranças do setor agrícola de formação de cartel por parte de seis empresas estrangeiras que dominam o mercado de insumos no País.
Outro fator que está empurrando os preços dos insumos é a falta de matéria-prima para produção de veneno agrícola e fertilizantes. Minas de fósforo, no Mato Grosso do Norte, e de potássio, no Rio Madeira (AM), dependem de licenciamento ambiental para que a indústria do insumo possa produzir com um custo menor. Atualmente, o Brasil importa insumos da Rússia, Alemanha, Canadá, China, EUA e Marrocos.
O economista da Faep, Pedro Loyolla, argumentou que estes fatores podem refletir em aumento de preço nos alimentos para o consumidor. ''É terrível o que está acontecendo com o aumento dos insumos'', declara. Em face da situação de insolvência do setor, produtores no Paraná começam a protestar contra os sucessivos aumentos das indústrias. A Faep entregou ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, documento reivindicando R$ 110 bilhões para o Plano de Safra entre 2008/09, valor bem acima da safra do ano passado, quando o governo emprestou para o setor produtivo R$ 70 bilhões para médios e grande produtores.
Loyolla estima que o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) deve injetar mais 20% em cima de R$ 13 bilhões investidos pelo governo no ano passado para os pequenos produtores. Entretanto, o economista avalia que outras medidas seriam necessárias para ajudar a produção agrícola, desde a subvenção por perdas ocasionadas por questões climáticas até subvenção parcial da agricultura. Ele considera um investimento o governo subvencionar o setor, diante da necessidade crescente no mundo por alimentos e biocombustíveis.

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