Instituto quer incentivos para exportação de artesanato
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quarta-feira, 18 de outubro de 2006
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Instituto Paranaense de Promoção às Exportações (IPPEX) iniciou ontem um processo de planejamento e levantamento de produtos artesanais produzidos no Paraná para tentar montar um diagnóstico do setor e buscar incentivos para que as mercadorias conquistem o mercado internacional. Atualmente, apenas 5% do artesanato local é exportado.
De acordo com a coordenadora administrativa do IPPEX, Adriana Cordeiro, esse é apenas um primeiro levantamento que será finalizado no dia 30 de novembro. ''A capacidade produtiva do Paraná é imensa. A diversidade é grande. Todas as produções locais podem conquistar o exterior, basta termos planejamento e qualidade'', ponderou.
Adriana comentou que o mercado paranaense está perdendo a capacidade de exportação. Em 2006, houve redução em 20% das empresas que regularmente exportavam. ''Temos que buscar produtos que possam ser exportados. Hoje não se mostra o que temos: como o artesanato''. Após o diagnóstico, o IPPEX irá buscar incentivos junto aos governos federal, estadual e municipais para a abertura de linhas de crédito para exportação. ''Vamos bater de porta em porta''.
O coordenador técnico do IPPEX, Haroldo Secco Júnior, disse que atualmente faltam projetos que valorizem o artista. ''Temos que mostrar o artista. O artesanato é uma produção artística e não de subsistência. Enquanto não mudarmos essa mentalidade, teremos dificuldades de entrar no mercado
internacional'', nalisou ele.
Atualmente, artesãos de outras nacionalidades conseguem exportar seus produtos para o Brasil. Especialmente para o Paraná. A maioria é de países da Ásia, América Central e Oceania. ''Temos que mudar nossa estratégia de mercado. Até porque estaremos gerando renda no local onde a pessoa vive. Isso acaba com o êxodo rural. Temos que ter apoios governamentais, institucionais e empresariais''.
A presidente da Federação das Associações e Cooperativas de Artesãos do Paraná, Deonilda Mueller Machado, criticou os governos pela falta de incentivos. Hoje, existem no Paraná 25 mil artesãos. ''O Paraná já foi grande exportador. Mas os incentivos acabaram no primeiro governo Requião. Estamos tentando voltar a exportar. Se pelo governo não conseguirmos, conseguiremos por meios empresariais'', complementou. O incentivo aos artesão no Paraná iniciou-se no governo Ney Braga.
A artesã Eunice Ferreira da Rocha, 29 anos, estava ontem bastante otimista. Ela produz chapéus, bolsas, sapatos e vestidos de uma fibra especial chamada tuturi. A fibra de buçu é da região do Amapá e tem sido trazida por ela há um ano e cinco meses. ''É um material lavável, dobrável e passável. O chapéu é moldado para qualquer tipo de cabeça. Da pequena até a grande. É um produto natural e nacional'', mostrou. Eunice já produz cerca de 300 chapéus por mês. E quer aumentar a produção. ''Estou tentando ensinar pessoas a fazer esse material. Mas é muito difícil. É todo artesanal. Para mim é fácil. Nasci vendo minha mãe fazendo artesanato. Nunca imaginei que um dia isso iria me levar para o exterior'', analisou. O IPPEX gostou do trabalho de Eunice, que tem - segundo Adriana - grande potencial de exportação.


