Instituto pede proibição do hormônio do leite no Brasil
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sexta-feira, 20 de outubro de 2006
Ricardo Westin<br> Agência Estado 
São Paulo - O Idec, uma das principais entidades de defesa do consumidor, enviou cartas ao Ministério da Agricultura e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na semana passada pedindo que o hormônio do leite seja proibido no País. O produto é aplicado nas vacas para aumentar a produção de leite. Segundo o Idec, há indícios de que pode causar danos à saúde humana. Ainda não existe, porém, nada conclusivo a respeito.
O produto em questão é a somatotropina bovina recombinante (rBST, na sigla em inglês), uma espécie de anabolizante dado às vacas para aumentar em 20% a produção de leite. A versão biológica desse hormônio é produzido naturalmente pelos próprios animais, mas em quantidades pequenas.
Na correspondência enviada ao governo, o Idec cita um estudo publicado em maio deste ano pela revista médica ''The Journal of Reproductive Medicine'', que afirma que mulheres que comem produtos derivados do leite regularmente têm cinco vezes mais chances de ter filhos gêmeos. Suspeita-se que o potencial aumentado seja provocado pelo hormônio do leite.
O produto faz com que a vaca produza mais IGF, um hormônio que estimula a lactação e a ovulação. As mulheres que participaram do estudo em questão também tinham mais IGF no organismo.
Ainda de acordo com o Idec, o fato de as vacas produzirem mais leite leva a um aumento do risco de mastite (inflamação das mamas), o que exigiria tratamentos com antibiótico. Isso pode fazer com que resíduos da droga fiquem no leite que será consumido. O Idec destaca que ainda não se conhecem claramente os efeitos do hormônio do leite sobre a saúde humana.
''Há dúvidas em todo o mundo a respeito dos efeitos sobre a saúde das vacas e sobre a saúde das pessoas. Diante de tantos questionamentos, o ideal seria que não utilizássemos esse produto'', afirma o sanitarista e consultor técnico do Idec Sezifredo Paz.
Com a mesma preocupação, a Câmara dos Deputados, por meio da Comissão de Meio Ambiente, pretende realizar uma audiência pública ainda neste ano sobre a suposta ameaça do produto à saúde humana.


